VAMOS FALAR DE AUTISMO? COM ANA PAULA SÁ MENEZES

 

 

Qual seria o nosso comportamento se nosso ambiente fosse representado apenas por detalhes múltiplos e não relacionados? E se não pudéssemos identificar os espaços em que vivemos? Como agiríamos se estivéssemos incapazes de compreender a noção de tempo? Hiper seletividade, não contextualização e uma falha da teoria da mente são consequências comuns do autismo. Assim, crianças com autismo têm uma relação com o mundo singular que interfere em seu comportamento e interações sociais.

Provavelmente, você já ouviu o termo autismo em diversos contextos. Com o aumento do número de crianças e adultos que recebem o diagnóstico, surgem questões sobre o que o termo realmente significa. Se você é um pai cujo filho acabou de receber o diagnóstico, suas perguntas assumem uma importância crítica. Você precisa de respostas, mas muitas delas são confusas. Essa fase é dolorida, pois as expectativas que esses pais projetavam sobre suas crianças precisam ser completamente modificadas. Após o impacto inicial, a segunda pergunta é: o que posso fazer para ajudar meu filho. A resposta a essa pergunta, na atualidade, resume-se a se apropriar de informação e buscar ajuda em profissionais especializados na área.

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO AUTISMO

Dificuldade de se relacionar Sensibilidade a alguns Sons Não gosta de ser tocado Não faz contato visual Fala com dificuldade ou ausência de fala Choro ou risadas inapropriadas

O autismo é considerado um espectro, o que significa que os sintomas variam amplamente de indivíduo para indivíduo. A condição afeta pessoas diferentes de maneiras diferentes, tornando difícil descrever a condição em uma definição coesa. Muitos indivíduos com autismo experimentam dificuldade com interações sociais, lutam com a comunicação e se envolvem em comportamentos que são problemáticos em alguns contextos. Seu diagnóstico é baseado em um grupo diversificado de sintomas comportamentais: dificuldades sociais, interesses fixos, ações obsessivas ou repetitivas e reações inusitadamente intensas ou embotadas à estimulação sensorial – porque não há marcadores biológicos confiáveis.

BIRRAS (Meltdown)

Todas as crianças fazem birras. As crianças autistas também, mas frequentemente estas atingem um patamar em que não conseguem parar. Durante uma destas birras, a criança não olha em volta para ver a reação das pessoas ao que está a fazer e não se preocupa com a própria segurança (muitas vezes batem com a cabeça no chão, em móveis ou outros objetos). A perda do controle é total e é independente do local e da plateia. Muitas vezes estas birras são confundidas com má educação ou falta de controle parental – mas não são. Por trás dessa birra tem todo o sofrimento de uma criança que não consegue comunicar o que está sentindo. Crianças com autismo têm desregulação devido à estímulos do ambiente: som alto, fogos de artifício, luz forte, cheiros fortes.  Estima-se que 1% da população mundial esteja dentro do espectro. Não se sabe as causas do Autismo. Autismo não é doença. Autismo não tem cura. Tenha EMPATIA com uma criança com Autismo.

O QUE EU PRECISO FAZER PARA AJUDAR?

Tenha EMPATIA. Não fique olhando para a criança quando ela estiver em crise. Não a julgue. Não fale com ela. Espere apenas ela se acalmar. Tenha EMPATIA.

 

Ana Paula Sá Menezes

Mãe de Autista

Mestre em Ensino de Ciências na Amazônia

Especialista em Ensino de Matemática

Especialista em Neuropsicopedagogia