Precursor do chamamé de MS teve carreira curta, mas bastante produtiva

Zé Corrêa tocou profissionalmente durante 10 anos. Apesar de uma carreira curta lançou quase 40 álbuns e compôs 72 músicas

Lucas Arruda
Músico aprendeu a tocar acordeon sozinho e gravou primeiro álbum aos 19 anos. (Foto: Instituto do Chamamé MS)

Ele é uma das figuras mais importantes do chamamé sul-americano, o mais aclamado do estilo aqui em Mato Grosso do Sul. Hoje em dia é pouco conhecido, sendo bastante apreciado por quem é do meio. Zé Corrêa nasceu em Nioaque e nunca teve um professor que o ensinasse a tocar qualquer instrumento, mas aos 15 anos já era um exímio acordeonista. Se estivesse vivo ele completaria neste sábado 72 anos.

O diretor cultural do Instituto do Chamamé de Mato Grosso do Sul, Márcio Nina, é apaixonado pela história e música de Zé Corrêa. Ele conheceu o músico através de sua família, que tem o chamamé como estilo preferido. “Eles passaram esse gosto para mim, é uma herança. Desde criança ouvia músicos chamamezeiros e o Zé sempre foi uma figura presente no que eu escutava. Quase não há nenhuma pesquisa sobre ele, por isso resolvi ir atrás”, afirma. Márcio só tinha um ano quando o músico veio a falecer, em abril de 1974, com apenas 29 anos.

 

Márcio Nina pesquisa a vida do acordeonista (Foto: Marcos Ermínio)Márcio Nina pesquisa a vida do acordeonista (Foto: Marcos Ermínio)

Com 15 anos Zé já tocava em bailes aqui na Capital. Ele, que nasceu em Nioaque e cresceu em Maracaju, veio para tentar a vida de músico. Com esta idade, influenciado por dois amigos paraguaios ele partiu para Santos. “Seus amigos achavam que por lá ser uma cidade maior, ter mais gente, eles teriam mais sucesso”, conta Márcio.

Aconteceu justamente o contrário. “Eles não conhecem muito da nossa cultura e esse tipo de música é bastante estranha, não curtiram muito por lá. Zé morou por três anos lá e quando quando se apresentava acabava fazendo um repertório que não era seu”, relata o pesquisador. Foi então que o músico resolveu voltar para Campo Grande, onde a aceitação de sua arte sempre foi maior.

Aqui, por meio de seu irmão mais velho, ele conheceu Délio, da dupla Délio & Delinha, que o ouviu tocar e acabou encantado. Pegou Zé e o levou para São Paulo para ser o acordeonista da dupla no álbum que estava a lançar.

“Quando chegou na gravadora o dono não queria que ele tocasse o instrumento no disco porque já tinha quem o fizesse. Ele queria mandar o músico de volta pra cá sem mesmo tê-lo ouvido”, pontua Márcio. Délio pediu para que ele ouvisse o garoto tocando e acabou sendo atendido. “Apresentado ao Zé ele falou para que tocasse um teclado. Mesmo nunca tendo tocado um ele encarou o pedido com naturalidade e tocou uma valsa no instrumento que emocionou a todos”, complementa.

Depois disso ele gravou seu primeiro disco. No total foram quase 40 em seus 10 anos de carreira, sendo 9 solos, um compacto e outras inúmeras participações de duplas como Milionário & José Rico, Délio & Delinha, Crione & Barreirito entre outras. Zé Corrêa compôs 72 músicas durante esse tempo.

Livro

No primeiro semestre do ano que vem Márcio pretende lançar um livro com todo o levantamento que tem feito há mais de 15 anos, intitulado “Zé Corrêa Rei do Chamamé”. Além de toda a trajetória do músico terá um pouco da história do chamamé. Haverá toda a discografia de Zé e também as partituras de todas as músicas compostas por ele.

 

Zé Corrêa faleceu jovem, aos 29 anos, mas deixou um grande legado para o chamamé
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Fonte da notícia: Campo Grande News




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