O que fazer quando o time não veste a camisa?

O que fazer quando o time não veste a camisa?

O PRIMEIRO PASSO DO LÍDER É VERIFICAR SE ELE MESMO NÃO É O PROBLEMA

Por que meu time não é tão comprometido quanto eu? Essa foi a pergunta que me fez um CEO de uma empresa média do setor de serviços durante um café da manhã nesta semana. Enquanto conversávamos, percebi que ele é do tipo que literalmente veste a camisa: envergava, na ocasião, uma que estampava o logotipo da empresa. E a exibia com orgulho. Tinha mais de 10 camisas daquelas, dizia, e as usava principalmente para visitar clientes e nas conversas com a equipe. Perguntei se o time também adotava o uniforme. “Não”, ele respondeu, com um sorriso amarelo. Voltamos, então, à principal questão: o porquê de o seu pessoal não “vestir” a empresa como ele. Examinamos juntos alguns caminhos que podiam fornecer pistas para suas respostas. Começamos analisando o comportamento de um CEO.

1. Ele demonstra seu total comprometimento com a sua empresa? No caso de meu interlocutor, a resposta era positiva. Pela camisa, pela paixão que falava de suas realizações e das possibilidades futuras, pelo seu envolvimento profundo com os clientes, ficava clara a sua entrega à companhia. Porém, nem sempre os líderes demonstram o mesmo nível de comprometimento que exigem do seu time. Sabe aquele gestor que dá a maior bronca quando alguém da equipe não ficou até mais tarde, mas é o primeiro a sair do escritório? Pois é. Sem dar exemplo fica difícil!

2. Ele constrói um ambiente que promove o comprometimento da sua equipe? Foi neste ponto que a conversa com meu convidado estava pegando. Apesar de ser comprometido, esse líder percebeu que podia fazer muito mais para estimular a entrega de seu pessoal. Na tentativa de cobrar mais comprometimento, errava na mão. Dava broncas públicas desnecessárias, às vezes murros na mesa, queria dar a última palavra em tudo, deixava de celebrar as conquistas do dia a dia. O CEO tem de saber que o reconhecimento é importante, que todo mundo busca aquela sensação de pertencer a algo maior, de poder deixar sua marca. Que todos querem trabalhar em um ambiente saudável com um líder confiável. Sem agendas ocultas, sem estrelismos.

3. E quando o problema está em alguns membros do time? Só vale a pena examinar essa dimensão com profundidade depois que você, CEO, tiver a certeza de que fez a sua lição de casa direitinho – ou seja, cumpriu com rigor os dois tópicos acima. Se isso já foi feito e o problema de comprometimento ainda persiste, vale iniciar uma conversa individual e franca com cada membro da equipe. É um ótimo primeiro passo. Nessa conversa, coloque-se como o agente transformador. Cabe a pergunta: “O que posso fazer para você ficar mais comprometido?” Muitas descobertas podem surgir dessa abordagem franca. Por exemplo, saber que um problema pessoal está afetando o desempenho e a disposição de determinado funcionário. Ou que alguma atitude sua o desmotivou profundamente. Ou que existe uma falta de sintonia entre a atual função do colaborador e seu propósito e paixão. Conhecer as razões, expor suas expectativas, ouvir as do outro e traçar um plano de ação pode ser uma boa saída.

Esse foi o guia que sugeri ao CEO. Ele pareceu ter ficado contente com minhas observações. Se você também acha que seu time poderia estar mais comprometido, talvez seja o caso de observar com mais atenção as suas ações e as respostas a estas ações. Trilhar os passos acima pode ser um bom começo para detectar o problema.

Sergio Chaia  foi presidente da Nextel , Sodexho Pass e vice- presidente para a América Latina da Symantec. Participa de diversos conselhos e atualmente é chairman da Óticas Carol. Também é palestrante e autor do livro Será que é possível?

Fonte: Época

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