História de Nioaque

A FUNDAÇÃO DA CIDADE DE NIOAQUE

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Foi tramitado no Poder Legislativo, no ano de 2006, projeto de Lei, oriundo do Poder Executivo, propondo que a data da fundação de Nioaque fosse em 08 de Abril, mas foi rejeitado. No ano seguinte, foi novamente apresentado o Projeto de Lei que institui a data de fundação de Nioaque, sendo desta vez aprovada por maioria. Portanto Nioaque passou ter 8 de abril como data de fundação, segundo pesquisas do professor José Vicente Dalmolin. Sua emancipação política é comemorada em 18 de Julho.

Abaixo há relatos da data de fundação de Nioaque, de acordo com estudos e pesquisa do Professor José Vicente Dalmolin.

Em 14/07/1847, partiu uma expedição comandada por Joaquim Francisco Lopes, com o objetivo de estabelecer uma rota fluvial para ligar Mato Grosso ao Paraná. Após longa viagem, aportaram na região onde se radicara, vindo de Cuiabá em 1840, João Gomes. Estabeleceram então um Porto, o qual deram o nome de São João de Antonina em homenagem ao Barão de Antonina. Mais tarde foi fundada a povoação de Nioaque, em data, até hoje, sucetível de dúvidas: 22/04 ou 22/05/1848. Foi elevada a Distrito pela Lei n° 506, de 24/05/1877 e o Município pelo Decreto 23 de 18/07/1890. Comemora-se dia 22 de Maio seu aniversário.
Fonte: SEPLAN-MS (1999) http://www2.uniderp.br/Atlas/nioaque.htm

nioac

a) Povoamento na área do Município de Nioaque;

b) Fundação e povoamento da cidade de Nioaque e;

c) Emancipação Política Administrativa de Nioaque com a criação do Distrito de Paz (Freguesia) e do Município desmembrado de Miranda.

navegando pelas águas dos rios Cuiabá, São Lourenço, Paraguai, Miranda, adiantou-se até a foz do rio Nioaque com este último e fundou a Fazenda Forquilha, onde passou a radicar em 1843.

O pioneirismo coube aos irmãos Lopes e Barbosas, sertanistas arrojados, acompanhados dos seus familiares, saltaram o Paranaíba e embrenharam pelos sertões sul mato-grossense a procura de terra boa. Acharam-na no Planalto de Maracaju e nas águas do Dourados, Apa, Brilhante, Vacaria.

João da Silva Machado, Barão de Antonina, nasceu no ano de 1782, na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul e faleceu em São Paulo em 18 de março de 1875.

Foi um dos financiadores de Entradas pelos sertões de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso, no reconhecimento, exploração e ocupação de terras e vias fluviais entre São Paulo e Sul de Mato Grosso.

Ousado sertanista, Joaquim Francisco Lopes, natural de Piumi, Minas Gerais, nasceu em 7 de setembro de 1805 e faleceu no dia 3 de Maio de 1884, em Jatí, então Província do Paraná.

ao Brasil o papel de importante Bandeirante, realizando Entradas pelas então Províncias de Minas, São Paulo e Mato Grosso.

Prestou a Mato Grosso e a particulares verdadeiros serviços em diversas explorações.. Como companheiro do Engenheiro João Henrique Elliot, abriu o sertão da Vila de Jatí à Vila de Miranda, efetuou ainda vários outros trabalhos da mesma natureza.

Irmão de Antonio Gonçalves Barbosa, francano, natural do Povoado de Covas, então Província de São Paulo, faleceu em 1865.

No ano de 1845, adquiriu de Gabriel Francisco Lopes, a propriedade que o mesmo havia dado origem, denominada Fazenda Passa Tempo, nas cercanias do Vacaria, onde se radicou no início do povoamento da região.

Mário Monteiro refere-se em Episódios da Formação Geográfica do Brasil: “em 1856, Inácio Gonçalves Barbosa registrou terras de Nioaque, onde hoje é o povoado (cidade) como posse sua. O Registro foi feito em Miranda, perante o Padre Bento Canavarro”.

Estas terras foram as que registraram a origem da Fazenda Urumbeva, das quais, uma área dela foi doada para o Patrimônio Público.

Inácio prestou relevante serviço no sentido de firmar o povoamento e o Destacamento Militar, os quais originaram a fundação da própria cidade de Nioaque. Préstimos estes que foram desde a construção dos quartéis até o fornecimento de alimentos.

Joaquim Francisco Lopes, sertanista, empreendeu as suas viagens de exploração e reconhecimento por sertões de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso entre os anos de 1821 a 1850, das quais escreveu diversos relatórios.

Na data de “21 de agosto de 1844 Senador do Império, Barão de Antonina, idealizou um varadouro entre o Brilhante e o Miranda”. Ledir Marques Pedrosa, descreve que o início dessa Exploração iniciou-se no dia 16 de Agosto de 1845.

Virgílio Corrêa Filho, assim escreve: “tratando de perto os Senadores do Império do Brasil para cujo rol entrou em curto prazo, o Barão de Antonina sabia da gestão da lei 601 de 1850 e tratou de dar forma legal às terras que pretendia.

Virgílio Corrêa Filho, Questões de Terra, São Paulo, 1923.

o Barão de Antonina, através de Joaquim, que já possuía dois irmãos embrenhados nesta região, José e Gabriel, incumbiu de comandar uma Entrada ao Sul da Província de Mato Grosso e dar forma legal às posses pretendidas e descobrir a melhor ligação fluvial entre Antonina, na Província do Paraná e a Vila de Miranda, no Baixo Paraguai, na Província de Mato Grosso. Na época, a vasta rede hidrográfica entre os rios Paraná e Paraguai, lhe permitira essa escolha adequada.

Foi assim que se deu vida a esse empreendimento, comandada por Joaquim, auxiliado pelo genro do Barão, Luiz Pereira de Campos e assessorado pelo Mapista-piloto, o Engenheiro João Enrique Elliot, de nacionalidade escocesa.

navegando pelos rios Ivinhema, atingem o Brilhante, buscam um varadouro através da serra de Maracaju até atingirem a foz do ribeirão Urumbeva no rio Nioaque, local denominado de Barra. À distância entre os dois extremos, Brilhante e Nioaque, é de aproximadamente nove léguas[1], onde a descoberta deste varadouro esteve ao encargo do Major João José Gomes, por determinação do governo Provincial.

Medida itinerária que atualmente no Brasil equivale a 6.000 m, ou seja, uma légua corresponde a seis quilômetros.

No dia 8 de abril de 1849, na confluência entre os rios Urumbeva e Nioaque, atingidas por Joaquim Francisco Lopes, deu-se à fundação inicial do povoado de Nioaque. Navegando através das águas do Nioaque até a foz, no lugar denominado de Forquilha e deste ponto em diante, através do Miranda, chegam à vila de Miranda, então distrito do Município de Corumbá.

Segundo L.M.Pedrosa, a data oficial da primeira fundação do porto, povoado que resultará na cidade de Nioaque é 8 de abril de 1849 e seu fundador comandante, Joaquim Francisco Lopes. Acompanhe as narrativas:

“No dia 8 de Abril de 1849 chegaram a um porto de canoa no rio Nioaque, barra com um córrego que deram o nome de Urumbeva, em cujo local fizeram posse para o Barão de Antonina, fincando marcos de cerne[1] com o ano de 1849 e com as iniciais de B.A., ai fundada a povoação de São João de Antonina, mais tarde Levergéria e hoje Nioaque. Este lugar distante 12 léguas de Forquilha…”

Segundo algumas literaturas tratam que a madeira utilizada chama-se Piuva.

Esta via de Communicação, mais antiga que a de Camapoã e tambem pouco frequentada, acaba de ser melhorada pelos trabalhos do distinto brasileiro Barão de Antonina. Segundo estes trabalhos, em vez de varar-se o Mandego ao Anhanduhy-guassú, segue-se pôr campos do Districto de Miranda, descendo-se depois pelas vias Brilhante e Ivinheima e subindo-se pelos rios Parana e Paranapanema e Tibagy, até a cofluencia do ribeirão das Conconhas na Villa de Castro da Commarca de Curitiba.

Esta carreira póde ser de muita vantagem para o commercio do Baixo Paraguay com a Comarca de Curitiba e para o estabelecimento de fasenda de criação nos logares povoado ella transita”.

“… porem poucas expedições passarão pôr ahi e as nossas communicações fluviaes com São Paulo estarião em quasi total abandono se ultimamente não tivessem tomado alento pôr huma nova via aberta pelos esforços de um distinto e emprehendedor paulista, o Barão de Antonina, da Commarca de Curitiba, mandou elle á sua custa exploradores que descerão pelos rios Tibagy e Paranapanema ao Parana e d’este passarão ao Ivinheima que remontarão até onde o acharão navegável, e d’ahi caminharão por terra até o N i o a c[1], galho do Miranda. Este emprehendimento com a valente proteção que lhe dá o governo Imperial ha de sem duvida progredir e já temos recebido alguns carregamentos vindo pôr esta via”.

“As carreiras são menos trabalhosas em muito menos numero que as da carreira de Camapoã.”

“Avalia-se em 8 legoas a extensão do varadouro, bem como da preparação dos meios de transportes para as cargas e canoas, foi pôr ordem do Ministério incumbida ahum official superior desta Provincia a cuja disposição mandei pôr dous destacamentos de tropas de linha”.

Esta é a referência histórica mais antiga como documentos que trata da grafia Nioac, referindo-se ao rio, atual rio Nioaque.

“…no ano de 1850,no pontal do Nioaque com o Urumbeva, Joaquim Francisco Lopes, assentou as primeiras construções e deu a futura povoação o nome de São João de Antonina, em homenagem ao Barão de Antonina, seu protetor, nas suas investidas pelos sertões do Sul de Mato Grosso, onde fundou posses para revender àqueles”.

O que se possui de registros concretos, a área da atual cidade fora outrora pertencente a Inácio Gonçalves Barbosa e que através do seu filho, Manoel Gonçalves Barbosa, fundou a Fazenda Urumbeva, na escarpa ocidental da Serra de Maracaju, próximo ao pontal do rio de mesmo nome, por volta de 1846, e que a mesma fazenda abrangia toda a extensão onde estão localizadas as confluências do rio Nioaque e do Urumbeva e os terrenos urbanos da cidade de Nioaque.

“Intendencia Municipal 10 de Março de 1894

Eminente Cidadão

Em cumprimento ao que V. Exa. Determina pela circular n. 5 de 18 de Janeiro do corrente anno, devo informar-vos que não consta officialmente haver este municipio gosado do favor de uma concessão de terras devolutas para o seu patrimonio em tempo algum.

Vagamente circula a noticia de haver o falecido Antonio Gonçalves Barbosa[1] posseiro primitivo da fasenda denominada de “Urumbeba” da qual as terras d’esta localidade fasião parte, por inclusão somente nas declarações para registro que elle ofereceu segundo o regulamento n. 1318 de 1854, dado como patrimonio um pedaço de terras dessa sua posse sem que tenhas esta Camara sciencia de quanto fôra a area dôada ou limites para a occupação da povoação. A posse primitiva.Segundo consta os registros da época antes da Guerra do Paraguai, fora pertencente a Inácio Gonçalves Barbosa, Posterior parte Fazenda Urumbeva foi adquirida pelo comerciante italiana Vicente Anastacio, radicado em Nioaque desde 1871.

Mas esta doação é ineficas pôr falta de base e quanto mesmo estivesse confirmada pôr documentos seria terras sujeitas a legitimação tal como se acha ainda a referida fasenda “Urumbeba”, da qual dizem haver pertencido a zona occupada pôr esta Villa que abrande dous kilometros mais ou menos.

Em vista do exposto a Camara Municipal, aceitando com agrado o arbitrio de V. Exa. Indica registrar-vos a área de 4 kilometros, nos termos do artigo n. 108 do regulamento annexo do Decreto n. 38 de 15 de fevereiro de 1893, comprehendendo as

terras adjacentes inteiramente desocupadas servindo até agora quasi que de logradouro publico e limitada pôr terras pertencentes ao Cidadão Vicente Anastacio ao Sul, Francisco David de Medeiros a Leste, com os herdeiros de Antonio Gonçalves Barboza ao Norte e terras devolutas ao Oeste da mesma Villa, ficando dentro da area acima a confluência dos rios Urumbeba e Nioac e abrangendo onde derem os limites a demarcar ambas as margens destes dous cursos d’agua.

E para que semelhante descriminação se effectue em breve espaço de tempo, logo depois que Vossa Excelencia servir conceder a area ora pedida aponto para tal fim o Agrimmessor Cidadão Capitão Arthur Cavalcante do Livramento”.

Até o ano de 1995, comemorava-se a data do aniversário da Cidade de Nioaque no dia 22 de Maio, dia da Padroeira da Cidade de Nioaque – Santa Rita de Cássia, portanto – 150 anos (1845 – 1995).

Dia 22 de maio – quanto ao dia 22 de maio, a sua compreensão está nos fatos histórico-religiosos. Nesta data é comemorada a Festa de Santa Rita de Cássia

Os fatos registram que Santa Rita de Cássia entrou na vida de Nioaque desde a chegada das famílias de Inácio e Antônio Gonçalves Barbosa, cuja devoção prosseguiu entre alguns dos seus descendentes. Santa Rita de Cássia ficou sendo a Padroeira do então povoado de Nioaque, tendo em vista que, a fazenda Urumbeva, da qual foi desmembrada a área que sediou a fundação do povoado e hoje cidade

Oficialmente, a devoção a Santa Rita de Cássia como padroeira de Nioaque foi estabelecido no ano de 1877, cujo conteúdo do Decreto[1] Provincial nº 5 de 8 de maio e o de nº 506 de 24 de maio, estabelecem que:

Documento original e manuscrito, fornecido pelo Arquivo Público de Mato Grosso, Cuiabá, 1984.

“Artigo 1º – Fica elevada a cathegoria de Freguesia com a denominação de Levergeria e sob a invocação de Santa Rita, o Povoado de Nioac”.

A instituição da data festiva do aniversário da Fundação da cidade de Nioaque foi introduzida no dia 22 de maio de 1957, por sugestão do cidadão Adão Villas Bôas e Américo Bernardes, ao então Prefeito Municipal, Senhor Hortêncio Gomes, para junto comemorar os festejos religiosos de Santa Rita. O festejo religioso além de tradicional apresentava um significado maior que o da festa política.

festejos sobre a fundação de Nioaque estavam incorporados às festividades de religiosas de Santa Rita. E o dia do aniversário político era 24 de maio. Data esta que marca a criação do Distrito ou Freguesia no ano de 1877.

data de 22 de maio como data da fundação da cidade, começou a ser incorporadas no calendário das festas municipais, a partir dia 11 de outubro de 1977, quando da divisão de Mato Grosso e Criação de Mato Grosso do Sul. A partir de 1979, com a instalação do novo governo, os municípios sul mato-grossense começaram a buscar o resgate da sua história política.

Este fato político e histórico, levou as autoridades nioaquenses a adotarem 22 de maio como aniversários da cidade, porém sem nenhuma base de sustentação oficial, legal, mas baseada nas tradições.

até 1957, não se comemorava nenhuma data festiva relativa ao Município fundação ou emancipação política, os únicos festejos e os mais importantes eram os da Padroeira da Paróquia e da Cidade de Nioaque, Santa Rita de Cássia.

Para brilhantar os festejos religiosos de Santa Rita, é que os idealizadores introduziram nesta data a comemoração do aniversário da cidade de Nioaque como um ato histórico e político. É bom que se diga, que esta comemoração não apresentava uma definição clara quanto a sua intenção: alguns falavam em fundação, outros em emancipação política administrativa, conforme registros em atas e jornais da época.

Distrito – Em 24 de maio de 1877, através dos Decretos Provinciais nº. 5 e 506, assinado pelo então Presidente da Província de Mato Grosso Hermes Ernesto da Fonseca foi criado o Distrito de Nioaque. Nesta ocasião recebeu a denominação de Levergeria.

Município – Levergeria (Nioaque) foi elevada à categoria de Município no dia 18 de Julho de 1890, sendo desmembrado do Município de Miranda, recebendo a denominação de Vila de Levergeria, conforme Decreto Estadual nº 23, assinado pelo então, 1º Governador do Estado de Mato Grosso, da República dos Estados Unidos do Brasil, General Antônio Maria Coelho.

Documento extraído da Revista do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, vol 13 – 1850 – paginas 315 a 335, titulo: “Itinerário de Joaquim Francisco Lopes Encarregado de explorar a melhor via de comunicação entre a Provincia de São Paulo e a de Mato Grosso, pelo Baixo Paraguai, em 1848. Cópia fotocopiada fornecida pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, presidência de Hidelbrando Campestrini. Transcrição, notas e comentários são da minha autoria, Julho de 2004.

Segundo Dr. Demosthenes Martins, em carta enviada ao Sr. Dario Pires Peixoto, então Prefeito Municipal de Nioaque, em 1966, Demosthenes Martins, assim escreveu a respeito da Fundação de Nioaque:
Documento cedido por Dario Pires Peixoto, Nioaque, 1983.

“Campo Grande, 25 de Abril de 1966. Prezado amigo Prefeito Dario Pires Peixoto, Quando do convite para assistir às festividades do aniversário de Nioac que o calendário marca para 24 de maio, adverti ao prezado amigo de que já é tempo para retificar-se esse equívoco, que indica 24 de maio como data da Fundação da sua cidade. E como lhe prometi naquela ocasião, aqui estão os elementos que informam a minha assertiva:

8 de abril de 1849, JOAQUIM FRANCISCO LOPES, (irmão do GUIA LOPES, José Francisco Lopes) assenhorou-se das terras entre o rio Nioac e um ribeirão que ele denominou de Urumbeba, onde fincou dois esteios de piúva, nos quais gravou o ano de 1849 e as letras B. A. referente ao nome do Barão de Antonina (João Machado da Silva), em honra a esse titular que era que lhe subsidiava as suas investidas pelo Sul de Mato Grosso no propósito de fundar posses para serem vendidas.

inserido na Revista do Instituto Histórico Geográfico, consoante registra Episódios da formação Geográfica do Brasil, livro de Mário Monteiro de Almeida, nas páginas 209 e seguintes e respectivas notas.

O próprio nome dado a Povoação, que em 1850, Joaquim Francisco Lopes iniciou, com a construção das primeiras casas foi a de São João de Antonina, como escreveu Previsto Columbia, em Homens Notáveis – O Sertanejo – Curitiba, 1870). O nome Nioac, foi alterado para LEVERGERIA, pela lei provincial nº 506 de 24 de maio de 1877, que lhe atribuiu a categoria de Distrito de Paz.

Aí, talvez esta a razão de ser de considerarem esse dia como sendo o da fundação de Nioac. Veja o que registra a esse respeito à ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS, Publicação do I.B.G.E.

Portanto, meu caro Prefeito, retifique o equívoco em que nos encontramos e para o que estão à mão os subsídios de publicações merecedoras de todo o crédito. Há, ainda, o trabalho do Jurisconsulto Astolfo de Rezende na questão de terras em que ele foi advogado do Estado contra os herdeiros do Barão de Antonina. É a publicação o Estado de Mato Grosso e as supostas terras de Antonina.

Quando na divisão judicial da fazenda da “FORQUILHA”, em que lutei durante 28 anos, como advogado dos seus posseiros, examinei detidamente uma enormidade de documentos nos arquivos de Cuiabá, Cáceres, Miranda e Nioac e fiz investigações em leis e publicações referentes ao desbravamento do Sul de Mato Grosso, eis que a posse da FORQUILHA, filiava-se ao seu primeiro posseiro, Major João José Gomes, em casa de quem Joaquim Francisco Lopes estivera em Janeiro de 1849. Sem mais, com um abraço amigo, o Demosthenes Martins.

ANHUAC – Segundo Teodoro Sampaio “tirou da tribo Tapuia esta bela denominação de formoso local, é corruptela do nome dado pelos Guaicurus, alias mencionado nos antigos mapas portugueses, quando em exploração destes sertões, Anhuac, que quer dizer Clavícula Quebrada”.
Teodoro Sampaio, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, 1954.

Os argumentos desta carta, pelo que parece nunca se deu o seu devido valor pelas autoridades públicas do município de Nioaque, mas a data de 8 de abril de 1849, é a data da fundação da cidade de Nioaque.

OCUPAÇÃO, EXPLORAÇÃO, POVOAMENTO MATO GROSSO DO SUL

POR QUE OS ESPANHÓIS FORAM OS PIONEIROS?

ALGUNS NOMES DE ESPANHÓIS SÃO CHAMADOS DE EXPLORADORES

Aleixo Garcia– 1524 Considerado por muitos autores Sendo primeiro homem branco que pisou em solo mato-grossense, após a descoberta do Brasil em 1500

Álvarez Nuñez Cabeza de Vacca – 1526 Juan Ayolas – 1537

Nuflo Chaves – 1557 Juan Garay – 1567

Dom Ruy Diaz de Melgarejo – 1580 Às margens do rio Miranda fundara um aldeamento indígena, denominado de Santiago de Xerez por volta de 1580. Atacados pela maleita, conhecida como doença dos pântanos e perseguido pelos índios Guaicurus, os Jesuítas resolveram abandonar Miranda e fundaram às margens do rio Aquidauana a Nova Santiago de Xerez, elevada a Bispado em 1643 e destruída em 1648 por bandeirantes paulistas.

As Missões Jesuíticas Espanholas Em território Sul Mato-grossense

Regiões onde houveram Aldeamentos: Camapuã; Miranda e Aquidauana; Amambai; Iguatemi e Sete Quedas

O fim dos aldeamentos foi motivado entre outras razões: Oposição sofrida pelos jesuítas no domínio espanhol; Invasão seguida dos bandeirantes

União das Coroas Ibéricas Portugal e Espanha No ano de 1580,

Alguns nomes de Bandeirantes

Nicolau Barreto Organizou uma bandeira, que em 1602, partindo do Planalto de Piratininga, com incursões pelo interior do território mato-grossense, destruindo possessões espanholas

Antônio Raposa Tavares Em 1648, Antônio Raposa Tavares, navegou pelo rio Ivinhema e explorou as cabeceiras, os campos de Vacarias, o planalto e a serra, a qual denominou de Maracaju. Lutou contra os índios Guaicurus, grupos que habitavam aquela região com a criação de gado, cavalos e porcos.

Pascoal Moreira Cabral e Antônio Pires de Campos 1718/1719 descoberta do ouro rio Coxipó Cuiabá

Surgem as monções. Em 1719, nasceu o termo Cuyabá e começa a desenvolver o Arraial, muito embora, Villa Bella passa a ser Escolhida e torna-se a primeira Capital da Capitania de Mato Grosso.

Madrid, 13 de janeiro de 1750 é assinado o Tratado O brasileiro Alexandre de Gusmão, nascido em Santos, foi o principal autor do novo tratado, o Tratado de Madrid, que se baseou no princípio do Uti Possidetis. Segundo este princípio, o direito de posse da terra cabe ao seu primeiro ocupante efetivo.

No dia 9 de maio de 1748 por Carta Regia foi criada a Capitania de Mato Grosso, desmembrando-a de Capitania de São Paulo.
No dia 9 de maio de 1748 por Carta Regia foi criada a Capitania de Mato Grosso, desmembrando-a de Capitania de São Paulo. Vila Bela foi escolhida para ser a primeira Capital.
O primeiro Governador e Capitão General recaiu em Dom Antônio Rolin de Moura Tavares, o futuro conde de Azambuja e 2º vice-rei do Brasil, toma posse do cargo a 17 de janeiro de 1751, em Cuiabá.

O primeiro Governador e Capitão General recaiu em Dom Antônio Rolin de Moura Tavares, o futuro conde de Azambuja e 2º vice-rei do Brasil, toma posse do cargo a 17 de janeiro de 1751, em Cuiabá.
Povoamento no sul de Mato Grosso Século XVIII – 1701 – 1800
Povoamento no sul de Mato Grosso Século XVIII – 1701 – 1800
Varadouros presídios e fortins militares Sitiante criação de gado monçoeiros, exploradores, aventureiros, tropeiros Dirigiam-se para Cuiabá -ouro –

Redutos populacionais deste século XVIII
Camapuã – 1723 Forte de Coimbra – 13 de setembro de 1775 Albuquerque/Corumbá -21 de setembro de 1778 Presídio de Miranda – 16 de julho de 1778,

RIO MIRANDA Índios (Mondego E Mobotetey (marrecos)
1778, Leme do Prado lança os alicerces do Presídio, com a denominação de Nossa Senhora do Carmo do o Mondego, por determinação do Capitão-General as Capitanias de Mato Grosso e Cuiabá, Caetano Pinto de Miranda Montenegro. Em 30 de maio de 1857 o povoado de Miranda é elevado a categoria de Vila com a denominação de Miranda.

Amambai – Colônia Militar de Iguatemi Coxim – Os índios Caiapós em 1723

Povoamento em Mato Grosso do Sul Século XIX
No povoamento deste século pode ser destacada a influência de cinco fatores: a) Estabelecimento de fazendas de criação de gado vacum e cavalar; b) As guarnições ou Colônias Militares; c) Exploração da Erva Mate nativa; d) Solo e água favorável ao desenvolvimento das atividades de agricultura; e) Solo, pastagem nativa, água, topografia favorável para o desenvolvimento de atividades de pecuária.

A INTRODUÇÃO da pecuária bovina proporcionou a ocupação, posse e radicaçãodos bandeirantes do século XIX

Influencia Das famílias Lopes e Barbosas
NIOAQUE 8 DE ABRIL DE 1849 FUNDAÇÃO
DE COLONIA MILITAR MIRANDA 1860 FZ. MONJOLINHO 1844 FZ. URUMBEVA 1845

FZ. JARDIM DESBARRANCADO, ESTIVA 1858 FZ. FORQUILHA 1839
COLONIA MILITAR DE DOURADOS 1861

PERIODO GUERRA DO PARAGUAI 1864 – 1870 SUL DA PROVÍNCIA DE MATO GROSSO (MATO GROSSO DO SUL)

Pós-guerra, 1874, definido os limites entre o Brasil e o Paraguai, na região, oeste na região, hoje Bela Vista, Ponta Porã, Porto Murtinho, Antônio João novas fazendas são instaladas. Destaca a empresa Mate Laranjeira, que passa a explora a erva-mate na região de Ponta Porã.

Tomás Laranjeira, requereu terras no atual município de Bela Vista – Fazenda Margarida e anos depois, 1892, já tendo como sócio os irmãos Murtinhos, deu início a exportação da erva-mate, produzidas nas terras arrendadas do Estado, pelo Porto que recebeu o nome de Murtinho, no Rio Paraguai.

Ciclo ervateiro Porto Murtinho, Bela Vista, São Tomás, Nhú-Verá, Campanário, Ponta Porã, Amambaí, Caracol, Margarida, Cabeceira do Apa, Porto Feliz, Vista Alegre, Antônio João, Nioaque.

FASE REPUBLICANA 15 NOVEMBRO 1889
ORIGEM GUIA LOPES DA LAGUNA JARDIM
Por ocasião da construção e manutenção da rodovia ligando Aquidauana a Porto Murtinho e a Bela Vista, a cargo da CER-3, do Ministério da Guerra, acampou-se à margem direita do rio Miranda, em terras da Fazenda Jardim, em princípios de 1937, a 1ª Companhia do 3º Batalhão de Sapadores, sob o comando do então Capitão Teodorico de Farias.

1942, parte do sul de Mato Grosso foi incorporado a Território Federal de Ponta Porã, desmembrado de Mato Grosso; em 1946, reintegrado

CRIAÇÃO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL 11 OUTUBRO 1977, Nioaque constitui um dos 55 municípios formadores do novo Estado de Mato Grosso do Sul, desmembrado de Mato Grosso.

ETIMOLOGIAS, LENDAS, EVOLUÇÃO DA PALAVRA NIOAQUE
A palavra Nioaque é de origem indígena derivada das palavras graficamente escritas: ANHUAC, ANHOAC, ANIUAC, que significa na concepção das termologias científicas: “Clavícula Quebrada” e procede da denominação primitivamente dada ao Rio, do qual originou o nome da Cidade, hoje Município.

ANIOAQUE – Originário da tribo Guaná, segundo Estevão de Mendonça, que significa Clavícula Quebrada.
Estevão de Mendonça, Datas Mato-grossenses, 1973, vol. 1, p. 251.

ANHUAC – Segundo Teodoro Sampaio “tirou da tribo Tapuia esta bela denominação de formoso local, é corruptela do nome dado pelos Guaicurus, alias mencionado nos antigos mapas portugueses, quando em exploração destes sertões, Anhuac, que quer dizer Clavícula Quebrada”.
Teodoro Sampaio, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, 1954.

NHUAQUE – Palavra de origem da tribo Guarani. Junção de duas palavras: NHU + AQUE = Campo de dormir; significando campo de dormir, local onde se faziam paradas para descansar ou dormir de viagens ou caçadas. Alguns documentos de origem paraguaia, os que tratam da Guerra do Paraguai, apresentam a denominação NHUAQUE designando o local da Povoação e do Rio.

Evolução Fonética e Gráfica da Palavra Nioaque nAnhoac nAnhoaque nAniuac nAnioac nAnhuyac nAniuaque nAnhuaque nAnhuac nNhuaque nNyuac nNioac nNioaque

Evolução Fonética e Gráfica da Palavra Nioaque correlações morfológicas nAnhuac nAnhoac nAnhoaque nAniuac nAnioac nNioac nNioaque

NIOAC, esta forma gráfica está registrada em Relatórios, manuscritos de 1848/49, “… dahi caminharão por terra até o Nioac, galho de Miranda…” São os documentos mais antigos encontrados e que comprovam o uso desta grafia. Esta denominação Nioac foi dada ao Rio.
Manuscritos dos Relatórios de 1848 e 1849 do Presidente da Província de Mato Grosso, Joaquim José de Oliveira, p. 121, Arquivo Público do Estado de Mato Grosso, CPA, Cuiabá, 1984.

Nioac está registra nos fatos históricos em três épocas diferentes:
Primeira, antes da invasão Guarani, na Guerra que a Tríplice Aliança sustentara contra a República do Paraguai, a partir dos anos de 1847 até 24 de maio de 1877, Lei nº 506. Segunda, entre 7 de julho de 1883 a 18 de julho de 1890, Lei nº 612, até a criação do Município de Levergéria (Nioaque), Decreto nº 23. Terceira, a partir de 26 de outubro de 1892, em razão da lei nº 13, até aproximadamente o ano de 1938, quando sofre reforma ortográfica. Pesquisando em livros Atas e Arquivos, contendo conteúdos manuscritos, a grafia Nioac é encontrada até o ano de 1938. No entanto, alguns poucos já escreviam no ano de 1937 a forma gráfica atual Nioaque.

a) Anhuac; b) Anhoac; c) Anhoaque; d) Aniuac; e) Anioac, formas gráficas cuja origem está ligada ao contexto primitivo, indígenas, dadas ao Rio e esta evolução com diferentes formas de grafias, consiste na maneira que se ouve, fala e escrevemos.

Na Língua Portuguesa, geralmente escrevemos as palavras através dos sons e quando não se domina perfeitamente a pronúncia e a grafia da palavra, acabam por escrevê-la com caracteres diferentes da palavra original, principalmente no nosso estudo, por estarmos tratando de uma língua indígena que não apresenta nada em comum com a latina. Com a presença dos portugueses, sem falarmos do pioneirismo que coube aos espanhóis, ouvindo-se a Língua e comunicando apenas através dos sons, aos poucos a sua grafia foi sendo aportuguesada fonética e graficamente. Com o passar das épocas, popularizando-se o nome, a pronúncia veio trazer mudanças gráficas, onde se concluí que na tentativa de fazer a grafia através do fono, pareça mais original escrever assim: NIOAC. Uma vez aceita e oficializada esta forma de se escrever e pronunciar, esta acabara ao longo de novas décadas sofrendo novas influências através das reformas ortográficas na Língua Portuguesa, o que conduziu a palavra Nioac a tomar outra estrutura gráfica, de acordo com a terminação do som. Observe que a palavra N I O A C possui um som final de “QUE”, onde se conclui que foi abolido a consoante “C” e acrescentado o dígrafo “que”, correspondente ao som final da antiga forma gráfica NioaC, para NioaQUE – NIOA + QUE = NIOAQUE.
Esta alteração gráfica também está de conformidade com as instruções para organização do vocabulário da Língua Portuguesa, aprovado pela Academia Brasileira de Letras, na seção de 12 de agosto de 1943, tendo por base o vocábulo ortográfico da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, Edição de 1940

Conheça o trecho: “…divisando com os campos da fasenda de Antonio José de Souza até encontra a coxilha que divisa as agôas do Rio Nioaque, tributario do Mandego (Miranda)… Porto de Jaty des de abril de mil oito centos e cincoenta”
Do Livro de Registros dos Títulos de Propriedades e Sujeita as Legitimações pertencentes a este Município, de 1893/1894, Livro nº 14, folhas 9 verso a 20.

NIOAQUE – PALAVRA COMPLETA A palavra Nioaque é constituída por sete letras – n i o a q u e. A palavra Nioaque é constituída somente por duas consoantes – n q. A palavra Nioaque reúne as cinco vogais – (a,e,i,o,u) n i o a q u e. Pelo pouco que conheço da nossa Língua Pátria, a palavra Nioaque é a menor palavra que reúne as cinco vogais com o menor numero de consoantes. Deste modo, é riqueza lingüística para todos os Nioaquenses e sul-matogrossenses.

As lendárias Histórias: n1 Nioaque – na versão da tribo Guarani NHU + AQUE nNioaque – na versão da Tribo Guaicuru ANHUAC nNioaque – Na versão da tribo Guaná ANHOAC / ANHOAQUE nNioaque – Na versão da Tribo Terena ANHU + YAC nNioaque – Lenda Popular Satirizada NI + O + AQUE

Denominação a Cidade ou Povoado de Nioaque

A Primeira Denominação a Cidade ou Povoado de Nioaque
– SÃO JOÃO DE ANTONINA –

Topônimo atribuído por Joaquim Francisco Lopes, na ocasião da fundação do Povoado de Nioaque.

Segundo Virgílio Corrêa Filho:

“… possuidor de latifúndios descomunais em Mato Grosso, o Barão de Antonina, planejou ligá-los às suas propriedades no Paraná. Por sua ordem sertanistas resolutos seguiram pelo Tibagi, Paranapanema, Paraná, Ivinhema, Brilhante, onde fundaram o Porto de São José de Monte Alegre. Cruzaram em seguida o divisor percorrido por um varadouro de cerca de nove léguas e em sítios que se afigurou propício, abriram à margem do Nioaque, afluente do Miranda, o núcleo denominado de São João de Antonina, que abrigaria as embarcações destinadas a trafegar até Corumbá. Virgilio Correa Filho – Terras do Barão – Barão de Antonina e seus Pretensos Latifúndios. S/d. Atualmente território do Estado de Mato Grosso do Sul. Na Revista do Instituto Histórico e Geográfico acrescenta: “… 1849, Joaquim Francisco Lopes assenhorou-se das terras entre o ribeirão Urumbeva e o rio Nioaque, onde fincou dois esteios de Piúva, o pontal do Nioaque com o Urumbeva, gravando as inscrições “B” e “A” – Barão de Antonina”. Segundo Miguel Ângelo Palermo. Do Livro NIOAQUE, Evolução Política e Revolução de Mato Grosso, escrito pelo italiano radicado em Nioaque no século passado, cuja primeira edição veio a lume no ano de 1892: Como se vê, esta via é toda fluvial, menos em uma extensão de quinze a vinte léguas entre o ponto chamado Sete Voltas e o rio Nioaque, onde as cargas deveriam ser transportadas por terra; e tendo determinado os agentes do barão as extremidades desta linha terrestre, o governo ordenou que se colocasse um destacamento de vinte e cinco praças em cada uma, dando-se a estes pontos os nomes de São João de Antonina e São José de Monte Alegre, nomes estes que logo caíram em desuso, como caiu em desuso e foi abandonada essa via fluvial interior pela franquia da navegação do Paraguai e pela morte repentina do comandante do distrito de Miranda, Major João José Gomes, o qual estava incumbido de dar andamento a esses trabalhos. Santa Rita de Leverger – Santa Rita, destacada pelos moradores pioneiros, família dos Barbosas e Lopes, como a Santa Protetora. Na ocasião da Constituição Imperial, havia a fusão da Igreja Católica e do Estado, desmembramento que ocorrerá, em 1891, com a Constituição Republicana. Todas as Localidades recebiam o nome de uma devoção católica. Leverger, nesta época, 1853, governava a Província de Mato Grosso, o Barão de Melgaço, Augusto João Manoel Leverger ,o qual governou Mato Grosso por cinco vezes, consagrando-se como um dos mais importantes administradores no regime imperial. Semelhante aos dias de hoje, para homenagear alguma personalidade do meio político atribui o seu nome a estabelecimentos públicos, rodovias, cidades, ruas. Houve uma tentativa de homenagear Leverger atribuindo seu nome ao povoado, associado ao da Santa Padroeira, Rita de Cássia. A denominação de Leverger, não fixa, permanece em desuso. Porém permanece a invocação de Santa Rita. Santa Rita do Urumbeva – Santa Rita, a padroeira; Urumbeva, denominação do Rio, afluente da margem direita do Nioaque. Foi da confluência do Urumbeva com o Nioaque que possibilitou o aumento do volume das águas do Nioaque, que daria melhor trânsito de navegação fluvial, por ocasião do itinerário – varadouro – Brilhante Nioaque. Há de considerar-se também que Urumbeva era o nome da Fazenda, e a confluência dos rios Nioaque e Urumbeva estavam situados dentro da área da Fazenda. O nome Urumbeva também não fixa, perece, permanece o de Santa Rita. Santa Rita do Anhuac – Santa Rita, a protetora, Anhuac, nome primitivo do rio Nioaque. Rio Anhuac foi o balizador para a integração fluvial entre as Bacias Hidrográficas do Paraná e Paraguai pela região Sul do Mato Grosso – tendo como interligadores, os Rios Brilhante e Nioaque. Este pode ser considerado o topônimo que assegurou o batismo do povoado, mas chamado de Nioac e não Anhuac, sobre a proteção de Santa Rita. Em 1854, chegou definitivamente o destacamento Militar, aquartelando-se nas imediações do local onde encontramos a Escola Estadual Odete Ignêz Resstel Villas Bôas. A mudança de Nioac para Levergeria, 1877. A primeira decisão governamental a favor de Nioaque foi tomada em 1877, quando o Povoado foi elevado à categoria de Freguesia – Termo eclesiástico – que lhe conferia o título de Paróquia , Distrito de Paz, Distrito Policial, Posto de Correio. Fora o primeiro Distrito do município de Miranda; esta decisão foi um passo político que contribuiu enormemente para se chegar à emancipação.

Altera a denominação da Cidade e Distrito de Freguesia de Santa Rita de Levergeria para Freguesia de Santa Rita de Nioac, 1883

No entanto, no ano de 1883, através da Lei[1] n.º 612, assinada pelo Barão de Batovy altera o nome da Freguesia de “Levergeria” e lhe devolve o nome original, “Nioac”, eis o que diz o artigo seguinte: Cópia do original cedida pelo Arquivo Público de Mato Grosso. Artigo 1.º – “A Freguesia de Levergeria creada pela Lei Provincial n.º 506 de 24 de Maio de 1877 se denominará de ora em diante de – Freguesia de Santa Rita de Nioac”. A Criação do Município de Nioaque e mudança na denominação de Nioac para Levergeria, 1890. Na seqüência, a íntegra do Decreto n.º 23, que concedeu a Nioaque o título de “Município” e a cidade a categoria de Vila e altera novamente a denominação de “Nioac” para “Levergeria”, em homenagem ao Barão de Melgaço – Augusto Leverger, pelos seus relevantes serviços prestados a Mato Grosso: historiador, geógrafo, presidente.

“Decreto n.º 23″

O General de Divisão Antonio Maria Coêlho, Governador do Estado de Matto-Grosso, por acclamação do Povo e nomeação do Governo Provisorio dos Estados Unidos do Brasil, usando da atribuição que lhe confere o § 1.º do Artigo 2.º do Decreto n.º 07 de 20 de Setembro de 1889 – Decreta:

Artigo 1.º – Fica elevada a cathegoria de Villa, constituindo termo unido á Comarca de Miranda e Municipio proprio a Freguezia de Levergeria.

Artigo 2.º – Ficão alterados os limites que a mesma freguezia marcou a Lei 506 de 1877 para os seguintes:

Numa recta que partindo da confluencia do rio Miranda e Nioac, vá ter ao morro azul á margem esquerda do Aquidauana, margem esquerda desde alta a sua mais alta origem no logar denominado Pontinha, na estrada de Camapoã e da Pontinha outra recta que vá ter as cabeceiras do rio Sanguessuga e pela margem direita deste até sua fóz no rio Paraná e pela margem direita do Paraná até Iguatemy, seguindo-se a linha da fronteira até o marco das cabeceiras do rio Apa, margem esquerda deste até o rio Pedra de Cal e por este acima até suas cabeceiras e dahi as do ribeirão Prata até a sua confluencia no rio Miranda e margem direita desde até a fóz do Nioac.

Artigo 3.º – Revogam-se as seguintes disposições em contrario.

Palacio do Governo do Estado de Matto-Grosso,

Em Cuyabá, 18 de Julho de 1890.

Antonio Maria Coelho”.

Alteração da denominação de Levergeria para Nioac

No ano de 1892, através da Lei Estadual n.º 13, o Doutor Manoel José Murtinho, Presidente do Estado de Mato Grosso, devolve a denominação primitiva à cidade de Nioaque: de “Levergeria para Nioac “Artigo único – A Villa de Levergeria e a Freguesia de S. José de Herculanea,n’este Estado, passarão de ora em diante a ter as mesmas denominações originais de Villa de Nioac e Freguesia do Coxim, revogando as disposições em contrario…

Cuyaba 26 de outubro de 1892”

Extensão do Município de Nioaque, Decreto n.º 23 de 18 de Julho de 1890

A extensão do Município de Nioaque no ato da sua criação, possuía uma extensão territorial não inferior a 200.000 Km². Para que se possa ter uma visão mais concreta, o mapa do atual Estado de Mato Grosso do Sul, com os seus 78 Municípios, onde se pode demonstrar a abrangência administrativa do Município durante o século XIX. Esta dimensão lhe foi conferida através do Decreto n.º 23 de 18 de Julho de 1890.

Resolução 225:

“RESOLUÇÃO N.º 225 de 26 de Agosto de 1899, eleva á Cathegoria de Villa a Parochia de Campo Grande.”

O Coronel Antônio Pedro de Barros, Presidente do Estado de Matto-Grosso.

Faço saber os seus habitantes que a Assembléa Legislativa decretou e eu sancionei a seguinte Resolução:

Artigo 1.º – É elevada a Cathegoria de Villa a Parochia de Campo Grande, constituindo em Municipio da Comarca de Nioac.

Artigo 2.º- Revogam-se as disposições em contrario.

Mando, portanto, a todas autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Resolução pertencer que a cumpram e façam cumprir fielmente.

O Secretario do Governo a faça imprimir, publicar e correr.

Palacio do Governo em Cuyabá, 26 de Agosto de 1899, um decimo da Republica.

Antônio Pedro Alves de Barros.

Foi sellada e publicada a presente Resolução n’esta data”.

A Criação dos Distritos de Bela Vista e Ponta Porã

De acordo com a Resolução n.º 255 de 10 de Abril de 1900, assinada pelo Presidente do Estado de Mato Grosso, Coronel João Paes de Barros, foram criados os Distritos de Paz de Bela Vista e Ponta Porã e as respectivas Paróquias, no Município de Nioaque.

1908 – Desmembramento de Bela Vista

1928 – Desmembramento de Maraju

1953 – Desmembramento de Guia Lopes da Laguna

A CERTIDÃO QUE ATESTA A FUNDAÇÃO DA CIDADE DE NIOAQUE

Nos textos acima transcrevemos todas as fontes bibliográficas que tratam sobre a fundação da cidade de Nioaque. Entretanto, transcreveremos a seguir um dos relatórios de Joaquim Francisco Lopes de 1848 e 1849, quanto trata sobre a fundação, no dia 8 de Abril de 1849.

“ITINERARIO  DE JOAQUIM FRANCISCO LOPES”

Encarregado de explorar a melhor via de communicação entre a Provincia de S. Paulo e a de Matto-Grosso pelo Baixo Paraguay(Offerecido ao Instituto pelo seu socio correspondente o Sr. Barão de Antonina).”

1. A Sétima Expedição ou Entrada. Joaquim Francisco Lopes realizou diversas Expedições oficial seguindo sempre as ordens e financiamento do Barão de Antonina, destacando sempre o Itinerário das viagens exploradoras empreendidas para descobrir uma via de comunicação entre o Porto e Vila Antonina e o Baixo Paraguai na Província de Mato Grosso feita entre os anos de 1844 a 1847. A primeira Entrada entre Porto Feliz e Cuiabá, 1845. A segunda Entrada, em 1846, explorando a região do rio Tibagi. A terceira Entrada, 1846, continua a exploração pelas margens do Tibagi. A quarta Entrada, 1846/1847, exploração dos afluentes da margem esquerda do rio Paraná, Tibagi e Paranapanema. A quinta Entrada, 1847, exploração da região, margem esquerda do rio Paraná. A sexta Entrada, iniciada em 14 de junho de 1847, cujo objetivo principal foi o de descobrir um transito fluvial, embarcando no rio Tibagi para se chegar na então Província de Mato Grosso, através das trilhas e rios Paranaíba, Ivinhema, Vacaria, Miranda e Paraguai. Nesta viagem, Joaquim Francisco Lopes fizera o reconhecimento de todas as terras no alto e embaixo da serra de Maracajú, rios Brilhante e Nioaque, Miranda, esteve nas sede das fazendas dos irmãos Antonio, Inácio e Francisco Gonçalves, como atesta o texto “Orio Avinheima (ou tres Barras) tem a sua origem na serra de Maracajú, nos campos de Xerez ou Vaccaria, onde as suas vertentes principais são conhecidas pelos nomes de Vaccaria, Brilhante, Santa Maria e Dourados e fazem contravertentes com os rio Branco, Mondego (Miranda) Anhuac (Nioaque) e Aquiduano (Aquidauana)…” Esta sexta Entrada, sem dúvida, foi importantissima para o levantamento topográfico e fluvial entre o alto e baixo da serra de Maracajú tendo como referencial os dois rios, Brilhante e Nioaque, balizadores entre os extremos, para o rio Paraná e para o Paraguai, passando pelas terras que mais tarde dariam origem à fundação de Nioaque. Mas este é o assunto da sétima Entrada, que será transcrita e comentada nos tópicos seguintes. “Exm. Sr. Barão de Antonina. – Havendo-se V. Ex, dignado de encarregar-me de ir fazer a setima exploração por conta do governo para verificar a possibilidade da abertura de uma via de communicação entre o Porto de Antonina e a Provincia de Matto-Grosso pelo Baixo Paraguay, tenho a honra e a satisfação de poder certificar a V. Ex. Por ver coroados os seus empenhos e os seus generosos esforços com esta magnifica descoberta, peço licença para lhe fazer uma rapida e succinta explicação da minha viagem, para que d’ella se depreenda o pouco que ainda resta a fazer afim de consolidar o muito que se realisou”.

2. Inicio da Sétima Entrada – Rumo a Fundação de Nioaque. Dia 3 de Agosto de 1848 foi o inicio da Sétima Entrada que teve o embarque no ribeirão das Congonhas, afluente do rio Tibagi, este afluente do Paranapanema e este do Paraná, hoje em território do Estado do Paraná, com uma comitiva de 19 pessoas, distribuída em quatro canoas, participando moradores da Província de Mato Grosso e Comerciantes.“Depois de haver recebido de V. Ex as instrucções que a este respeito se dignou dar-me a 3 de Agosto de 1848, parti a embarcar-me, o que effectuei a 27 de Outubro do mesmo anno no ribeirão das Conconhas. Esta expedição cujo commando me estava confiado compunha-se de nove pessoas e de um interprete ou linguará , que havia ido do Aldeamento de São João Baptista Acompanhavam-se Francisco Gonçalves Barboza, Paulo Rodrigues Soares e José Maria de Miranda, Moradores d’aquella provincia de Matto-Grosso e que na minha antecedente exploração me haviam seguido para esta Provincia e mais o negociante Antonio Felippe com seus camaradas ou homens de comitiva, e que perfazia ao todo dezenove pessoas embarcadas em quatro canoas.

3. A partida e algumas dificuldades – de Congonhas ao Paraná. Destaca os problemas de navegação pelos rios pelo baixo volume de água, o encontro de uma enorme panela de barro e a separação do grupo, os Mato-grossense, Francisco, Paulo e José partem na frente, deixando Joaquim Francisco Lopes cumprindo parte da sua missão, ainda na região do Paranapanema, entre elas a da localização do local onde foi uma antiga missão jesuítica do século XVII. Debaixo de um céo benigno e ao aspecto de uma natureza magnifica e encantadora, começamos a nossa viagem, fazendo deslizar as canoas no remanço das águas do ribeirão das Conconhas, até irmos dar ao rio Tibagi; e depois de seguir este até a sua foz, sahimos no Paranapanema, demorando-nos n’esta viagem fluvial cerca de tres dias, por estarem os rios um tanto esgotados, e ter-nos sido preciso abrir alguns canaes, dos quaes os mais baixos são os das Sete Ilhas e os baixios da Ilha de São Francisco Xavier, onde existiu a antiga Redempção d’este nome, fundada pelos Jesuitas, e abandonada no anno de 1631. N’este mesmo dia percebemos que além do Paranapanema, cousa de duas legoas, se estava lançando fogo, e que folhas esvoaçando, vinham cahir nas aguas que abriamos, e mostravam ser de taquarys e arvores, e não de campos. Conjecturo que este fogo fôra lançado pelos indios selvagens da nação Chavantes. No dia seguinte prosseguimos a viagem, passando felismente por canaes, travessões e baixios, até chegarmos á cachoeira das Laranjeiras, em cujo canal grande apenas passava o da a agua, e por isso tivemos de descarregar as canoas, e passa-las com algum custo pelas ondas que as aguas faziam por se acharem represadas n’este logar. Depois de transportada as canoas para um logar mais distante, e havermos tornado a arrumar as respectivas cargas, fizemos pouso no mesmo lugar em que haviamos antecedentemente pernoitado com o Sr. Luiz Pereira de Campos Vergueiro, onde então suportamos alguns dias de tempestade. Poucos instantes depois de ali estarmos percorrendo alquiles lagares, uma pessoa da comitiva achou uma colossal panela de barro cozido, com dez e meio palmos de circumferencia e sete e meio de boca, bem trabalhada em roda ao que parece, por ser muito desempenada e regular no diametro, tinha apenas o fundo arruinado. Ao amanhecer do imediato dia continuamos viagem, passando uns rebojos de agua, e passando pelos baixios de Pirapó, fui abarcar-me defronte á sua embocadura no Paranapanema, com a resolução de ahi fazer estanciar as cargas, afim de ir dar principios ás explorações que me haviam sido recomendadas nas instrucções de V. Ex. Como eu teria de demorar-me, os companheiros de viagem Francisco Gonçalves Barboza, Paulo Rodrigues Soares e José Maria de Miranda, teimáram a prosseguir n’este mesmo dia a sua viagem, mostrando-se bastante dezejosos de chegarem a suas moradas, que ainda assim distavam d’aqui cincoenta e sete legoas no rio Vaccaria. Desembarcado, foi meu primeiro cunhado procurar os vestigios d’onde foi a Redempção de Nossa Senhora de Loreto abandonada pelos Jesuitas em 1631, e subindo pelo rio Pirapó, e encontrando com baixios e corredeiras, saltei em terra a examinar a propriedade do terreno e margens do rio, em que só achei mattos firmes proprios para cultura, boas madeiras, e abundancia de fructas silvestres, como laranja azedas, sem verificar onde foi a tal Redempção, o que só com o tempo e vagar se poderá descobrir; pois segundo algumas memorias deve estar situada neste rio, meia legoa acima da sua embocadura no Paranapanema. Este rio de Pirapó é correntoso, e o seu leito é de pedra, tendo boas proporções para ponte e passagem a váo”.

4. Do Paraná ao Ivinhema, a entrada pelo território mato-grossense e o encontro com os índios Caiuás. Deixando as águas dos afluentes da margem esquerda do rio Paraná, Joaquim Francisco Lopes e comitiva, adentram ao território mato-grossense, através dos rios da margem direita, entre eles o Ivinhema. Este caminho já era do conhecimento de Joaquim, da Expedição efetuada anteriormente, a sexta Entrada. O encontro com os índios Caiuás é feita na base da troca de presentes, procedimento costumeiro desde os tempos do descobrimento do Brasil. É interessante, não só neste relatório das Viagens de Joaquim Lopes, as instruções para o abordamento no tratamento com os indígenas encontrados pelos caminhos, além dos presentes, pedia-se que os tratassem com cordialidade. Em diversas passagens chama a atenção das autoridades do Império e da Província quanto ao abandono, o descaso que muitas populações indígenas se encontravam. Joaquim, além de sertanista, fora um defensor dos povos da selva. Reconhece nos índios comportamento de beijar a mão, herança dos seus antepassados catequizados em aldeamentos, cuja pratica de beijar as mãos dos padres jesuítas era um procedimento de respeito à autoridade sacerdotal. Pernoitam entre eles, comem dos seus alimentos, milho assado, paca assada, cará, tingas, etc. Faz referência interessante sobre a atividade agrícola de subsistência, pois são bons agricultores, produzindo milho, mandioca, abóboras, batatas, amendoins, jucutupé, caras, tingas, fumo, algodão. Faz uma descrição geral sobre seus usos e costumes, armas, indumentárias, indústria, comportamento, atividades das mulheres. “No dia 12 regressei com chuva e continuei minha viagem; e encontrando alguns baixios, cheguei a 16 no rio Paraná, atravessei-o com véla aberta, entrando á direita na foz do rio Samambaia, que subi até fazer pouso no bracinho dos Kagados, D’aqui continuei a examina-lo até desaguar no Ivinheima, por onde fui subindo até o dia 22, em que deparei com uma pequena canoa amarrada em frente a uma ilha, onde estava um rancho e palhas de milho verde, pelo que julguei ser pouso de indios, que ali andvam pescndo, como indicavam os pesqueiros e canoas que depois fui encontrando. Chegando a um porto mais frequentado, e onde eu na antecedente viagem havia encontrado muitos indios Cayuas, de nação Guarany, soltei em terra com o linguará, levando algumas ferramentas e bijuterias, Pouco depois encontrei-me com o Cacique Libanio, que vinha acompanhado de mais quatro indios, os quaes cumprimentei em lingua guarany e offereci as ferramentas que levava. Em alegre recepção comemos alguma carne de paca assada, até que chegaram as canoas da minha comitiva, o que percebi pelo estrondo dos tiros; bem como chegaram outros muitos indios que por meu pedido o cacique havia mandado chamar para eu os presentear. Compenetrado da eficacia de um bom tratamento prodigalisado a estes pacificos filhos das florestas, eu me empenhei pôr por obra as salutares e constantes recommendações, que V. Ex. nos tem feito, de empregar sempre o meio da persuação e da brandura para com elles, por ser este o único meio de os chamar á communhão social. Aos abraços que com affecto lhes dava, elles me correspondiam com confiança, buscando beijar-me a mão, o que attribui a costume herdado dos jesuitas, porque é muito provavel fossem instruidos seus antecessores, até que a extincção d’aquella ordem e as violencias que posteriormente contra elles se perpetraram os tornou a lançar n’esta vida uma abnegação selvagem, de que urge ao governo de S.M.I. remi-los. Por via do meu linguará me dirigi especialmente ao cacique Libanio. Este indio é de proporções atlethicas, alto, reforçado e de uma physionomia insinuante, respirando nas maneiras franqueza e magnanimidade, bem como em suas conversações muito tino e raciocinio. Pedi que mandasse formar a sua gente em cordão e que estendessem as mãos direitas, sobre as quaes eu fui repartindo os presentes que V.Ex. lhes mandava, sendo muito para notar que elles sem se atropellarem uns aos outros e mostrando a maior circumspecção, agradeciam á sua moda, e se mostravam muito contentes. Ao cacique colloquei eu na cabeça um barrete vermelho, e cingi-lhe a tiracolo a caneta que serviu a V. Ex, quando commandante superior da guarda nacional, e com cujos presentes elle se mostrou muito satisfeito, a ponto de fazer com o corpo retirado algumas marchas de um para outro lado. Depois de se lhes acalmarem um pouco estas impressões, disse-lhe por meio do linguará, que havia um grubixá que era tão protector e amigo dos indios, que o chamavam Pahy-Guassú, e que a gente da sua nação elle tinha aldeado e dando vestimentas, com que elles estavam satisfeitos e reunidos. Que era elle quem lhes mandava aquelles presentes e que aquellas insignias tinham sido do seu uso e que por isso as estimasse. Pelas subsequentes perguntas que lhe fui fazendo, deprehendi que este cacique, de cujas boas disposições e pela cathegoria que parece occupar entre os mais caciques, de que é major, se podem colher grandes vantagens para a cathequese; elle tinha vindo muito criança do lado do Paraguay, confundindo-se assim n’aquellas hordas, até que a sua valentia e prudencia o elevou áquelle posto. É casado, e á sua mulher elle chamava em máo portuguez mesclado de hespanhol D. Maria Roza do Rozario. Segundo as proprias informações por elle dadas computo em quatro mil indios os por ali aldeados. Há debaixo das suas ordens mais de sete caciques, e elle me disse que sua gente era tanta como terra, o que dizia tomando punhados de terra entre as mãos e atirando-a. N’isto veio a noite, e nos dispuzemos para pernoitar aqui. Uma rede de embira me foi offerecida para descançar; bem como era presenteado a cada passo por elles, com milho assado, cará, tingas, etc. A noite passei-a aqui em claro pelas impressões que havia recebido e mesmo por cutella, e ao amanhecer do dia 23 soube por intermedio do linguará com o cacique que Francisco Gonçalves Barbosa e seus companheiros haviam levado uns tres indios de sua nação que se achavam pescando, e os levaram para ajudar a pescar na canoa, por cujo trabalho lhes dariam roupa e ferramenta, mostrando-me um tronco de arvores onde vi escripto o seguinte: – Sr. Lopes. – D’aqui levo tres indios. – F. Barboza. N’isso chegou o cacique acompanhado de outras muitas indias, que eu recebi com presentes, com que ellas se mostraram muito satisfeitas. Caminhando depois d’isto para a aldêa, ficando aqui as indias. Pelo caminho, em distancia de duas legoas encontrava familias que sabendo da minha chegada vinham apressadas satisfazer a sua curiosidade de ver gente estranha e receber presentes, que com effeito fui repartindo. Chegamos em fim ao aldeamento, impropriamente assim chamado, porque as casas acham-se disseminadas e como por bairros. Entramos em um rancho coberto de caetê, sendo outros cobertos de folhas de jerivá[. A aldêa é colocada entre as suas roças ou lavouras, que abundam especialmente em milho, mandioca, aboboras, batatas, amendoins, jucutupé, caras, tingas, fumo, algodão, o que tudo é plantado em ordem; e toda época é propria para a sementeira, porque vi milho a nascer, a emborrachar e a colher-se. É porém esta paragem falta de agua corrente, e servem-se das produzidas pelas cacimbas. Incessantemente concorriam indios a visitar-me, aos quaes eu presenteava; e não obstante as distancias, em menos de vinte e quatro horas afluiram mais de cincoenta arcos, não contando o mulherio, os moços e crianças, que tudo orçava para mais de duzentas cabeças. O vestuario e trage d’estes indios Cayuaz, é o mesmo que usam os indios de São João Baptista no aldeamento do Rio Verde no municipio de Faxina. Armado de Virotes, flexas e porretes, trazem em geral o beiço inferior furado, onde metem um botoque de rezina, que pela sua cistallisação imita o alambre. São todos de boa presença e bem talhadas proporções physicas. As mulheres occupam-se em fiar algodão para os vestuarios, torcem cordas de embira para uso da pesca e corda dos arcos; e de seus cabellos fazem uma tranças com que adornam a cintura de seus maridos ou irmãos, e o punho do braço onde bate a corda do arco, fazem também redes de ibirussú. As mulheres enfeitam-se com caramujos imitantes a missangas, e de ossos e de outras bijuterias, que ellas lançam ao pescoço e a que dão muito apreço. As informações mais que pude colher foram que alem do Ivinheima não havia hordas de coroados; que os terrenos que habitam vão até o Iguatemi junto á serra de Maracajú; que tem d’aqui um caminho por terra que vai ao Paraná, ao qual se deve seguir sempre pela terra firme e boa, desviando os pantanos; pela margem do Ivinheima tem muitos capinzais, e que d’aqui em quatro dias se sahe n’uma grande agua, ms que encontrando por ahi os indios cavaleiros, de quem se temem e com quem tem guerra aberta, não tem ido lá mais vezes. Estes indios não criam nem cães, nem galinhas; perguntando o motivo, responderam que o latido d’aqueles e o canto do gallo guiariam os inimigos para os atacar: criam bichos de pello e aves silvestres.N’este dia fiz que os homens de minha comitiva com os piazes ou indios pequenos, dançassem um sapateado á moda de Coritiba, que os indios muito apreciaram. Durante todo o tempo de minha estada entre estes bons indios não houve obsequio que á sua moda elles não podigalizassem, e não foi sem emoção, e com promessa de nos tornarmos a ver que d’elles me despedi, o que verifiquei no dia 27, havendo lhe do todos os presentes de que eu podia dispôr, mesmo de minhas provisões e utensilios, como machados, enxós, goivas, etc, e não convinha expôr-me a mais demora por não ter com que brindasse os que depois concorressem, pois sei quanto se offende a sua susceptibilidade, quando não são tratados e brindados igualmente. Caçando, pescando e mellando prosseguimos a viagem até pousamos no dia 28 á esquerda do rio onde chega o campo firme, no qual vimos perdizes, e a 29 chegamos á foz do rio Vaccaria.”

5. No rio Vacaria, o assassinato de Francisco Gonçalves Barbosa e outros pelos por três índios. Depois de uma estada agradável junto aos índios Caiuás e da informação da passagem dos Mato-grossenses radicados, Francisco, Paulo e José Maria, um acontecimento trágico abalou a expedição, foi o assassinato dos três viajantes por três índios da tribo Caiuás que deveriam servir de apoio durante a viagem até o alto da serra de Maracaju, no rio Vacaria e Brilhante. Com a morte dos três, houve além do abatimento de Joaquim e comitiva, uma mudança na missão, pois agora precisaria descobrir os autores e prende-los pela autoridade policial competente, que nesta época, ficava na Vila de Miranda, hoje cidade e Município de Miranda. “Desde a margem do Paraná até a foz d’este rio os matos são por vargeados e pantanosos estragados pelos fogos, que por um e outro lado elles tem lançado. No dia 29 subimos pelo Vaccaria, e estando a almoçar, percebemos a esquerda uns corvo que esvoaçavam. Curioso de ver o que era, para ali me dirigi, e um espetaculo de tremenda angustia se me antolhou; os cadaveres de meus companheiros Francisco Gonçalves Barboza, Paulo Rodrigues Soares e José Maria de Miranda, ahi estavam mutilados e já em estado de putrefacção. O terror e a magoa que senti em presença d”esta scena não a posso descrever. Alguma roupa de cama de pouca monta era o que ahi se divisava junto aos cadaveres; tudo o mais tinha sido roubado pelos tres indios autores d’este cruel assassinato, á excepção de quatorze sacas de sal, que tinham deitado para o fundo do rio. Tomei a cabeça d’estes infelizes assassinados e o restos de seus corpos sepultei, colocando-lhes em cima uma cruz. No dia 1º de Dezembro seguimos pelo Vaccaria que ia mui abaixo. No dia 6 cheguei a casa do fallecido Barboza, a cuja desventurada viuva dei a fatal nova da morte de seu marido, que a deixou na consternação que póde imaginar-se. No dia 7 seguiram as canoas para o porto do senhor Antonio Gonçalves Barbosa e d’ahi fui para a casa do Sr. Ignacio Gonçalves Barbosa, que se esmerou em obsequiar-me; e depois d’isso parti em direcção a Miranda, tendo alugado sufficientes animaes de monaria, em virtude das cartas de credito que V.Ex. me deu, as quaes muito me serviram para isto, e para comprar do preciso municio que gastava com minha escolta, conforme consta da conta por mim assignada, que com esta entrego nas mãos de V. Ex.

6. Do rio Vacaria ao Miranda, à Vila de Miranda, 1849 N’isto entrou o presente anno de 1849. A 2 de Janeiro continuei a viagem e a 3 encontrei dous indios um de nação Layana e outros Terena, que vinham de fazer uma correria nas matas do Iguatemi, nas margens do Paraná. O fim d’estas correrias é captivar outros, que sugeitam ou vendem, como antigamente se praticava com os infelizes indios, dando-lhes o nome de administrados. Um d’estes indios com quem entrei em conversação portugueza me ministrou dados e informações que me pareceram exactas sobre o lugar da existencia da antiga Redempção de Santo Ignacio, da qual há ainda vestigios nas vizinhanças dos rios Amambahy-guassú e Escupli. No dia 6 cheguei a Miranda e foi o meu primeiro cuidado ir entregar as cartas e officios de V. Ex, bem como requer acto de corpo de delicto nas cabeças dos infelizes assassinados, depois do que tiveram decente enterro com um acompanhamento o mais solemne que era possivel fazer-se em tal logar.”

7. De volta da Vila de Miranda a região do rio Vacaria. Caracteriza pela exploração dos rios que nascem na escarpa oriental da Serra de Maracaju, todos afluentes do Rio Paraná: Dourados, Santa Maria, Brilhante. Este último, o Brilhante tem sua nascente não muito longe da nascente do Nioaque, também na serra de Maracaju, porém na parte Ocidental, em baixo da serra. Nesta parte do texto é possível acompanhar a tentativa de Joaquim e comitiva de localizar no sul do atual Estado de Mato Grosso do Sul, o caminho das antigas missões Jesuíticas que ocuparam parte do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e do Paraguai, nos séculos XVI e XVII, onde eram aldeados milhares de índios. Destaca ainda o seu principal objetivo nesta sétima entrada: “o objeto principal da minha deligencia, qual o de marcar a navegação e varadouro das aguas do Paraná para as aguas do Paraguay.” Oferece um dado histórico interessante sobre os nomes de origem atribuídos ao Rio Miranda: “Mbotethechu ou Guaxihy, Mondego, segundo uma definição apresentada por Helio Serejo no Livro Nioaque um pouco da sua História, significa “Marrecos” “A 12 voltei para o Vaccaria: falhei a 13 na fazenda da Forquilha e a 17 cheguei na fazenda do Taquarussú e a 20 na Boa Vista, residencia do Senhor Barboza, onde tambem chegaram a 21 os meus cargueiros e comitiva; sendo preciso demorar-me aqui em aprestos para ir sufficientemente sortido, visto que ia fazer demoradas explorações em diversos pontos. No dia 12 de Fevereiro parti da Casa do Sr. Antonio Gonçalves Barboza na diligencia de explorar os rios que da serra de Maracajú vertem para o Paraná, e passando o Brilhante fiz por elle todas as indagações até as faldas d serra, e depois passei a fazer iguaes exames no rio Santa Maria até a mencionada serra, pois é este que faz contravertentes com o Mbotetheu, hoje conhecido por Mondego ou Miranda, e por isso foi preciso navega-lo; e ultimamente passei a fazer iguaes indagações no rio dos Dourados, então conheci que este rio, com quanto tenha bastante agua e grande espaço de navegação, vai fazer contravertente com o rio Appa que desagoa no rio Paraguay, onde há dous fortes dos Paraguayos, S. José e S. Carlos.

Produção do texto acima citado, cedido pelo Historiador e Pesquisador Professor José Vicente Dalmolin.
O professor Vicente, assim como é conhecido, estudou e pesquisou a História de Nioaque,
morou na década de 80 e lecionou na Escola Estadual Odete Ignês Resstel Villas Bôas.
Atualmente mora na cidade de Guia Lopes da Laguna – MS e leciona na Escola Salomé de Melo Rocha.

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