Exportação de café Fairtrade pode crescer mais de 60% neste ano

Exportação de café Fairtrade pode crescer mais de 60% neste ano

Dólar valorizado e prêmio pago pelos produtos estão entre as vantagens, afirmam especialistas

Pequenos cafeicultores do Brasil com certificação Fairtrade (Comércio Justo) devem exportar neste ano cerca de 260 mil sacas conforme as regras definidas pelo sistema. Se o número for confirmado, será um crescimento de 68,45% em relação a 2014, quando foram embarcadas 152,3 mil sacas de 60 quilos.

O resultado do ano passado já representou um crescimento de 21,25% em relação ao volume exportado em 2013, que foi de 125,6 mil sacas. O faturamento em 2014 foi de US$ 27 milhões. Os dados, compilados pelo Sebrae de Minas Gerais, são da Fairtrade International, certificadora oficial que, desde 2012, tem uma representação no Brasil.

O Fairtrade é concedido a grupos de produtores, comocooperativas e associações, para melhorar a qualidade dos produtos e das relações comerciais, especialmente em benefício dos pequenos e dos agricultores familiares. Tem entre os seus princípios as boas práticas ambientais e sociais e garante um prêmio sobre o preço internacional do produto.

Como o certificado é para uma entidade coletiva, todos os seus integrantes podem exercer seus diretos. No entanto, se um deles deixar de cumprir as regras pode comprometer a certificação dos demais. Parte do prêmio recebido na comercialização é revertida na produção e parte na melhoria das condições de vida da comunidade onde os produtores estão inseridos.

“Os pequenos cafeicultores estão percebendo que é mais vantajoso vender pelo sistema do que no mercado convencional”, explica a analista e especialista em acesso a mercados do Sebrae em Minas Gerais, Raquel Brasil, para justificar o crescimento do comércio de café Fairtrade. “O câmbio favorável à exportação é um estímulo a mais”, acrescenta.

O estado líder na produção nacional de café tem 20 dos 25 grupos de produtores brasileiros certificados e responde por 85% dos resultados obtidos em volume de vendas e faturamento. No Sul de Minas, Zona da Mata e no Cerrado, são mais de seis mil produtores, de acordo com o Sebrae, que apoia o trabalho com consultoria em assuntos como gestão e promoção, além de assessoria para o processo de certificação.

“A demanda já estava pronta. O nosso trabalho era organizar os produtores e tratar da qualidade do produto com foco no mercado internacional. É uma oportunidade para eles mostrarem o conceito do café diferenciado e de alta qualidade”, diz Raquel.

De acordo com a analista, outros três grupos de cafeicultores devem obter a certificação no ano que vem. A análise é feita caso a caso, de acordo com as demandas de cada um, que podem estar relacionadas ao produto, às boas práticas ou à administração do negócio.

ExposiçãoO trabalho desses pequenos produtores está sendo mostrado na Semana Internacional do Café, que vai até o sábado (26/9), no pavilhão da Expominas, em Belo Horizonte.

Apoiado pelo Sebrae, o estande Fairtrade, neste ano, ganhou um reforço, fazendo parte das iniciativas do movimentoCompre do Pequeno Negócio, lançado pela instituição com a finalidade de gerar demanda pelos produtos das micro e pequenas empresas. Raquel Brasil explica que o objetivo maior é disseminar o conceito de exercer a atividade em conformidade com regras consideradas mais justas de produção e comércio, “mas também são fechados negócios”.

Cafeicultor há 25 anos, André Luiz Reis é um dos que está apresentando seus produtos no evento. Dono de uma pequena propriedade de 22 hectares no total e 15 de cafezais, ele colheu neste ano 650 sacas, no município de Boa Esperança, no Sul do estado. Ele é certificado Fairtrade desde 2007, junto com os demais integrantes da Cooperativa dos Produtores de Café Especial de Boa Esperança, a qual preside.

Reis conta que sua primeira venda pelo sistema foi em 2008, uma carga de café para os Estados Unidos. Atualmente, acessa também mercados como Inglaterra e Bélgica, com café verde em maior quantidade e pequenos lotes de torrado e moído. Da sua participação na “Semana” de 2014, lembra de ter fechado uma venda para um cliente da Austrália.

“Eu tinha dificuldade financeira. Hoje estou consolidado, minha produtividade está mais alta, estou mais capacitado e obtendo lucro”, diz o cafeicultor, comparando os períodos antes e depois da obtenção do certificado. Segundo ele, os prêmios recebidos pelo café têm sido, em média, 10% do valor da saca que, hoje, está em torno de US$ 150 na região.

Outra vantagem de comercializar pelo sistema, diz ele, é o preço mínimo. O valor de venda não pode ficar abaixo do custo de produção. E o limite imposto em um cenário de queda no preço internacional do café não é aplicado em momentos de alta, quando os negócios acompanham o mercado. De acordo com o cafeicultor, é a única certificação com esse tipo de regulamento.

André Luiz Reis também é o presidente da Associação das Organizações de Produtores Fairtrade do Brasil (BRFair), que reúne representantes de todas as cadeias produtivas certificadas no país e é parceira do Sebrae nas atividades da Semana Internacional do Café. Durante o evento, a instituição realiza um fórum de discussões sobre o comércio justo nos mercados interno e externo. “Vamos discutir as dificuldades e planejar nossas ações com a certificadora”, explica.

Fonte: Portal do Agronegócios

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