Com queda do dólar, BC lucra R$ 22,5 bilhões com intervenções neste mês

Com queda do dólar, BC lucra R$ 22,5 bilhões com intervenções neste mês

Perdas parciais neste ano recuaram para R$ 90,2 bilhões, diz BC.
Desde junho que o BC não lucra com operações de ‘swaps cambiais’.

Com a queda do dólar registrada na parcial deste mês, o Banco Central registrrou lucro com as operações de “swaps cambiais” – instrumentos que equivalem a venda de moeda estrangeira no mercado futuro (derivativos) e que atenuam as pressões sobre o dólar no mercado à vista.

Em outubro, até a última sexta-feira (9), a autoridade monetária contabilizou um lucro de R$ 22,58 bilhões com estes contratos. Desde junho que o BC não lucra com estas operações. De forma geral, o BC registra lucro com estes contratos quando o dólar cai e perde quando a cotação da moeda norte-americana sobe.

No acumulado deste ano, também até a última sexta-feira (9), porém, o BC ainda contabilizou perdas com os “swaps cambiais”, no valor de R$ 90,28 bilhões. Isso quer dizer que, com o lucro parcial deste mês, o resultado negativo do acumulado de 2015 diminuiu. No acumulado deste ano, até 2 de outubro, as perdassomavam R$ 117,41 bilhões.

O lucro do Banco Central, no acumulado deste mês, ocorreu porque o dólar terminou a última sexta-feira (9), período considerado pela autoridade monetária, em R$ 3,75, contra R$ 3,96 no fechamento de setembro.

Nesta semana, porém, a moeda norte-americana voltou a subir, o que tende a gerar novos prejuízos para o BC com os derivativos. Nesta quarta-feira (14), por volta das 12h50, operava ao redor de R$ 3,85. Veja a cotação

Presidente do BC
Recentemente, no Congresso Nacional, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que, por outro lado, a alta do dólar valoriza as reservas internacionais.

Esse valor, de acordo com o comandante do BC, supera as perdas com os swaps cambiais. Ele também afirmou, na ocasião, que a autoridade monetária “nunca falou em segurar taxa de câmbio”. “Falou em segurar volatilidade, permitir que os mercados funcionassem. Hoje temos um mercado de futuros que é bastante líquido. Ali estava a pressão”, declarou Tombini naquele momento.

No fim de setembro, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirmou que as operações de swap têm proposito de oferecer “hedge” (proteção) ao setor privado contra a alta do dólar.

“É uma proteção contra a flutuação do câmbio, que funciona bem em termos de ajuste das contas externas e as operações conferem proteção aos agentes privados. Isso significa que as empresas que têm dívida, compromissos em moeda estrangeira, podem se proteger com o swap. Isso atenua os impactos sobre o setor produtivo sobre a renda, sobre a produção, sobre o emprego, sobre a arrecadação”, declarou ele na ocasião.

Custo de carregamento das reservas
Mesmo sendo um diferencial para a economia brasileira, em um momento de crise internacional e também interna, as reservas também têm o chamado “custo de captação” e carregamento – valor pago pelo governo para retirar recursos do mercado por meio da emissão de títulos públicos (operações compromissadas).

Estes valores foram injetados pelo próprio BC na economia ao comprar dólares para as reservas, e, por terem juros próximos à Selic (atualmente em 14,25% ao ano), têm um custo muito maior do que os juros externos. O custo de captação superou R$ 80 bilhões no primeiro semestre.

Ainda de acordo com o BC, a valorização das reservas, entretanto, não tem impacto no chamado superávit primário (economia para pagar juros da dívida pública), assim como não tem efeito no déficit nominal do setor público, mas incorporam o balanço do Banco Central. Os valores são exclusivamente utilizados para abater a dívida pública.

Swaps impactam indicadores fiscais
Por outro lado, os prejuízos da autoridade monetária com os contratos de “swaps cambiais” são incorporados às despesas com juros da dívida pública e ajudam a impulsionar o déficit nominal – que superou 9% do PIB em doze meses até agosto, o maior patamar da série histórica, que começa em novembro de 2002. Esse conceito é acompanhado pelas agências de classificação de risco.

Os contratos de “swap” também ajudam a impulsionar a dívida do setor público. No caso da dívida bruta, uma das principais formas de comparação internacional (que não considera os ativos dos países, como as reservas cambiais) – conceito também acompanhado pelas agências de classificação de risco – o endividamento brasileiro subiu em agosto. No fim do mês passado, estava em 65,3% do PIB (R$ 3,74 trilhões) – também o pior resultado da história. Alguns bancos já projetam a dívida bruta em 70% do PIB nos próximos anos.

Selo de país bom pagador
Estes indicadores são avaliados pelas agências de classificação de risco, juntamente com outros índices, ao conceder notas para os países. A equipe econômica trabalha, neste momento, para que a economia brasileira não perca o grau de investimento – selo de bom pagador – pela segunda agência de classificação de risco.

Recentemente, o Brasil perdeu o “investment grade” da Standard & Poors e teve de ajustar o orçamento do ano que vem em uma tentativa de reequilibrar as contas públicas e evitar um novo rebaixamento – o que, segundo o presidente do BC deve ser evitado.

Perdendo essa nota, as regras de vários fundos de pensão de outros países impediriam o investimento no Brasil, o que dificultaria a capacidade de o país, e das empresas do setor privado brasileiro, buscarem recursos no exterior – aumentando subsequentemente os juros destas operações.

Para que servem os contratos de swap?
Os swaps cambiais, cujo estoque está em R$ 380 bilhões (patamar do fim de agosto), são contratos para troca de riscos. O Banco Central oferece um contrato de venda de dólares, com data de encerramento definida, mas não entrega a moeda norte-americana.

No vencimento deles, o investidor se compromete a pagar uma taxa de juros sobre o valor dos contratos e recebe do BC a variação do dólar no mesmo período.

Segundo o BC, os contratos de “swap cambial”, que voltaram a ser emitidos em junho de 2013, quando a moeda norte-americana se aproximava de R$ 2,40, visam dar proteção para os agentes (“hedge”) que têm dívida em moeda estrangeira e fornecer liquidez para o mercado – evitando também uma volatilidade maior (forte sobe e desce) das cotações no mercado à vista.

Esse tipo de contrato também representa uma forma de proteção a empresas com dívidas altas em dólar. Se uma empresa fatura em reais, mas tem dívidas em dólares, pode ser interessante investir nestes contratos que a livram do risco de perder dinheiro com uma disparada da moeda norte-americana. Mas a estratégia tem um custo e envolve riscos. Se o dólar cair ou ficar estável, a empresa pode ter perdas e isso complica seu balanço.

Fonte: G1

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