Com Dunga longe, seleção olímpica mostra nova cara contra a França

Com Dunga longe, seleção olímpica mostra nova cara contra a França

Responsável por executar plano do treinador, Micale diz que teve liberdade para montar equipe após conversa com o gaúcho. Primeiro teste de nova era é nesta terça

Desde que Dunga assumiu o comando da seleção olímpica, uma nova forma de trabalho foi estabelecida. Devido aos compromissos do treinador com o time principal, coube a Rogério Micale assumir a responsabilidade de preparar os meninos para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. A divisão foi clara: Dunga definiria as diretrizes, e Micale as executaria. Mas, afinal de contas, quais foram as instruções? O que esperar da equipe que vai buscar a inédita medalha de ouro em pouco menos de um ano?

Uma resposta mais concreta será conhecida nesta terça-feira, quando o Brasil sub-23 enfrentará a França sub-21 no estádio MMArena, em Le Mans, às 16h (de Brasília) – o SporTV transmite o jogo ao vivo, e o GloboEsporte.com acompanha em Tempo Real. Mas, a julgar pelos treinamentos na última semana, tanto em Paris quanto em Le Mans, é possível imaginar que veremos em campo uma seleção com estilo semelhante ao apresentado no Mundial Sub-20, quando o time comandado por Micale foi vice-campeão.

Rogério Micale faz mistério. Diz apenas que, nas conversas com Dunga para definir a identidade da seleção olímpica, chegou a um consenso com o treinador. Por outro lado, recebeu liberdade para implantar seus conceitos na montagem da equipe. Caberá a Dunga, quando assumir de vez o time, fazer as alterações que julgar necessárias. A ideia é que o gaúcho receba um grupo acostumado a atuar com pressão no campo rival, linha alta de defesa e toque de bola.

– O Dunga me deixou muito à vontade para implantar os conceitos em que acredito. Tivemos conversas em relação à forma que ele gosta de colocar o time em campo, e vou tentar adaptar algo dentro daquilo que conheço. Mas não vou fugir muito daquilo que faço. Há as particularidades de cada um, mas a gente tenta entrar num consenso para que o trabalho se desenvolva da melhor forma possível – explicou Micale.

Entre os jogadores que estiveram no Mundial Sub-20, a percepção é de que o trabalho realizado na Nova Zelândia está tendo continuidade nos treinos na França. Andreas Pereira, por exemplo, chegou a ser observado como titular na seleção olímpica e contou que o pedido de Micale foi para executar o mesmo que fez anteriormente.

– O trabalho que nosso professor está tentando implantar é o mesmo da sub-20. Temos que continuar nesse trabalho, seguir em frente, para alcançar nosso objetivo. Ele falou para eu fazer o mesmo trabalho na sub-20, o que mostrei no Mundial – disse o meio-campista.

Falta combinar com a França

Apesar da intenção de Micale, o treinador ressalta que o adversário desta terça-feira será complicado. A França não se classificou para as Olimpíadas, mas tem um time repleto de promessas, algumas delas já estabelecidas no futebol europeu, como o zagueiro Laporte, do Athletic Bilbao, o meia Rabiot, do Paris Saint-Germain, e o atacante Coman, do Bayern de Munique. Por isso, a tendência é que arme o time de forma a encarar a pressão do time da casa.

– Vamos tentar implantar aquilo que foi feito na sub-20. Se vamos realizar, vai depender também da França nos permitir fazer isso. Mas a ideia é essa, está bem clara.

“Construir é muito difícil”, ressalta Micale

Apesar da maneira inusitada como será conduzida a preparação da seleção olímpica, Micale não vê risco na força-tarefa com Dunga. Acostumado a trabalhar na base, preparando os jogadores para os treinadores da equipe principal, ele acredita que sua função basicamente será a mesma.

– Eu sempre fui um formador de atletas. Procuro avaliar, treinar, dar conteúdo tático. Sempre preparei atletas para outros treinadores. Para mim, está sendo uma situação normal. Eu vou implantar algo que acredito que vá servir para o Dunga depois extrair, vir com a individualidade daquilo que ele pensa em termos de jogo. Vou dar o máximo suporte possível em termos de informações comportamentais, tanto fora quanto dentro de campo, e desempenho.

Neste contexto, Micale acredita que sua principal missão será preparar a equipe para ir bem na parte ofensiva, o processo que ele considera o mais complexo. Sem abrir mão de suas ideias.

– Construir é muito difícil, porque defender é parte do princípio de você esperar, estar atrás, uma situação que, no futebol, nós, como treinadores, achamos mais tranquilo de exercer. O princípio da construção é muito difícil. Minha intenção aqui é propor a construção para esses jogadores, é para isso que vou preparar a equipe. Às vezes a gente se expõe, somos questionados por tenta fazer a equipe jogar, usar linha alta, mas, se quiser manter posse no campo adversário, o time tem que jogar compactado no campo adversário. Uma coisa está junto da outra. A gente vai ter fazer a equipe jogar, marcar em cima, ter a posse de bola o tempo todo, porque, depois, qualquer coisa que vier fora disso é mais tranquila de executar. Estou aqui para isso, para que nas Olimpíadas estes jogadores já estejam com lastro de treinamento, mais preparados, mais experientes.

Fonte: Ge

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