Cantareira tem maior chuva para setembro em 19 anos, diz Sabesp

Cantareira tem maior chuva para setembro em 19 anos, diz Sabesp

É o primeiro mês desde março que chuvas superam média histórica.
Manancial, no entanto, segue no volume morto e com vazão reduzida.

A chuva registrada pelo Sistema Cantareira em setembro foi a maior para o mês em 19 anos, segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O volume de precipitação recebido pelo manancial neste último mês, de 154,5 milímetros, é o maior desde 1996, quando choveu 177 milímetros.

O maior acumulado para setembro já registrado pela Sabesp é de 1983, com 280 milímetros.

O desempenho de setembro de 2015 é quase 80% melhor do que o de setembro do ano passado, ano com estiagem mais severa da crise hídrica. Trata-se do primeiro mês desde março que a precipitação fica acima da médiaprevista, mas mesmo assim o reservatório não conseguiu recuperar o primeiro volume morto, e segue no vermelho, em -12,9%, segundo medição desta quinta-feira (1).

A vazão de retirada do sistema também continua reduzida e parte da população sofre com cortes de água por causa da redução de presssão na rede.

A primeira cota do volume morto foi adicionada ao sistema em maio do ano passado e, desde então, não foi recuperada.  No melhor dos cenários, isso só ocorreria em 23 de novembro, segundo o último relatório do Centro Nacional de Monitoramento e alerta de desastres naturais (Cemaden). A previsão mais otimista do órgão é feita estimando uma chuva 50% acima da média histórica.

A chuva acumulada de janeiro a setembro pelo Sistema Cantareira, no entanto, é apenas 1,91% maior do que a média histórica. O manancial recebeu 1065,7 milímetros de chuva no período, contra 1045,7 no mesmo intervalo de 2014. De acordo com o Cemaden, se a precipitação se mantiver na média histórica, o Cantareira só deve sair do volume morto no dia 16 de dezembro.

A previsão foi feita no dia 23 de setembro, antes da interligação entre os sistemas Rio Grande e Alto Tietê. A principal obra do governo contra a crise foi inaugurada nesta quarta e deve reduzir o número de clientes atendidos pelo Cantareira. Isso pode antecipar sua recuperação.

Atraso
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), entregou na tarde desta quarta-feira (30) a obra de interligação entre os sistemas Rio Grande e Alto Tietê. A entrega estava marcada inicialmente para esta manhã, mas o governo anunciou que ela havia sido adiada por causa de um vazamento. O problema acabou resolvido e a obra foi entregue em uma cerimônia realizada durante a tarde de quarta.

A obra havia sido anunciada inicialmente para maio deste ano. Em abril, a Sabesp já havia destacado o tamanho da obra para justificar a impossibilidade de entregar a interligação em maio: “tratam-se de ajustes normais dado o tamanho e a complexidade de uma obra desse porte”, informou a companhia à época. Alckmin justificou durante a inauguração:

Na cerimônia, o governador disse que o rodízio de água na região metropolitana de São Paulo está praticamente descartado. “Praticamente o rodízio está descartado. Nós queremos e vamos continuar com as campanhas para não ter desperdício. Eu diria que está descartado. Até porque agora também começa o período chuvoso e nós ainda temos uma reserva grande. Eu acho que não há hipótese (de não chover) nos meses com ‘r’”, afirmou.

Reforço
O bombeamento da água para o Sistema Alto Tietê poderá favorecer ainda o Sistema Cantareira, já que a água vai ser levada a partes das zonas norte e leste originalmente atendidas por esse sistema. O Cantareira também vive situação crítica e opera na segunda cota do volume morto, com 16,2% da capacidade.

Já o Sistema Rio Grande, que vai fornecer a água através de um braço da represa Billings considerado mais limpo, vive uma realidade mais confortável e opera com 85,6% da capacidade.

O investimento previsto inicialmente para a interligação dos sistemas Rio Grande e Alto Tietê foi de cerca de R$ 130 milhões. As obras incluíram a instalação de quatro bombas com capacidade para empurrar a água 80 metros acima, superando o morro que divide a região do ABC de Suzano. A água atravessa 11 km de tubulação para ser levada de um sistema ao outro.

A obra é uma das medidas traçadas pelo governo para tentar conter a crise hídrica no estado. Outras intervenções previstas são a interligação do sistema Cantareira com a bacia do Rio Paraíba do Sul e criação do sistema produtor do Rio São Lourenço, que vai captar água em Ibiúna. As duas obras estão previstas para 2017.

“Estamos aqui entregando uma obra estruturante, uma obra extremamente importante, que é a ligação do Rio Grande com a represa de Taiaçupeba”, disse Alckmin.  “Com isso nós teremos mais 4 metros cúbicos por segundo, o que equivale a perto de 1,2 milhão de pessoas abastecidas com água nova, aqui do Rio Grande, reforçando lá o Alto Tietê”, complementou.

Alckmin fez um balanço das obras de transferência entre represas.

“Temos 1 m³/s do Guaió para Taiaçupeba-Alto Tietê, 1 m³/s do Guarapiranga para ETA Boa Vista e 4 m³/s do Rio Grande para Taiaçupeba. Então, são 6 m³/s a mais e isso faz toda a diferença. E praticamente em tempo recorde. Normalmente, as obras, só para você entre licitar e começar,  às vezes, demora mais de meio ano. Em um tempo menor do que esse as obras foram executadas”, afirmou.

O governador destacou a importância da integração entre os sete sistemas de abastecimento de água em São Paulo: Guarapiranga, Cantareira, Alto Tietê , Rio Grande, Rio Claro, Alto e Baixo Cotia.

“Alguns estão lotados de água. O Guarapiranga está com 76%. E a Billings, que passa 4 metros por segundo pelo braço Taquacetuba, está mais cheia ainda. É desigual. Um sistema está mais baixo e outro está mais alto. Essa integração dos sete sistemas que passou a ser feita é uma grande segurança”, afirmou.

O governador disse que a outra estratégia é a integração de bacias. “Quando chove, chove demais. Quando faz seca, faz seca de demais. E até simultaneamente. Qual o caminho para diminuir a vulnerabilidade? É integrar as bacias. Integrando bacias, aumenta a capacidade de reservação”, disse.

Questionamento
Durante a inauguração desta quarta-feira, o vereador Cleson Alves de Sousa (PT) quis saber do governador Alckmin qual será a contrapartida para Rio Grande da Serra após a obra para retirada da água.

Segundo ele, a obra tirou a fonte de lazer da população local, mudou o curso do rio e provocou a morte de animais. “O que Rio Grande da Serra vai ganhar com isso?”, questionou. “Nós vamos te responder depois”, afirmou o governador. Sousa insistiu outras vezes durante a visita e discutiu com seguranças do governador.

Prêmio
A Câmara dos Deputados anunciou na semana passada que o governador Geraldo Alckmin vai receber o Prêmio Lúcio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação 2015. A indicação foi feita pelo deputado federal João Paulo Papa (PSDB-SP). Segundo o político, “a indicação do governador ocorreu pelo fato de ele governar o estado brasileiro que mais se aproxima da universalização do saneamento”.

Alckmin disse que vai a Brasília receber o prêmio e que ele é “modestia à parte, merecido”.  “O prêmio não é para mim, mas para toda população de São Paulo, e ao esforço feito pela Secretaria de Recursos Hídricos e pela Sabesp”, disse. Alckmin comentou nesta quarta-feira a petição pública que pede que o prêmio não seja entregue a ele. “Já estou acostumado. A vida pública é uma luta política 24 horas. Por mais que você faça, quem é do contra vai sempre falar mal. Isso faz parte.”

O governador afirma que várias medidas foram adotadas para contornar a crise. Além das obras, ele cita a adoção de um bônus na conta de água para quem economiza, a multa para quem aumenta o consumo e a interligação entre sistemas em determinados bairros para desafogar o Sistema Cantareira.

Fonte: G1

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